A endocrinologista Carolina Ziliotto, de Umuarama, destaca que as três mudanças regulatórias representam uma virada no acesso ao tratamento da obesidade no Brasil – Foto: Thiara Souza
Três decisões regulatórias aconteceram nos últimos dias e mudam o cenário do tratamento da obesidade no Brasil. A patente da semaglutida expirou, o FDA aprovou uma dose três vezes maior do Wegovy e a Anvisa liberou o Mounjaro multidose. Em menos de 72 horas, o acesso a essas medicações ficou mais próximo de mudar a realidade de muitas pessoas.
Para a endocrinologista Carolina Ziliotto, de Umuarama, as mudanças são históricas. “Cada uma dessas decisões representa uma virada real no acesso e nas possibilidades terapêuticas para quem trata obesidade”, afirma.
Com a expiração da patente, o caminho está aberto para que outras farmacêuticas produzam versões similares da semaglutida.
“Quando falamos em acesso ao tratamento da obesidade, estamos falando de pacientes que abandonam o acompanhamento por não conseguir sustentar o custo. A queda da patente não resolve isso de um dia para o outro, mas abre um caminho que antes estava fechado”, explica Carolina.
O FDA aprovou uma dose de 7,2 miligramas da semaglutida — três vezes maior do que a dose usada atualmente no Brasil. O estudo que embasou a decisão mostrou perda média de 20,7% do peso corporal em 72 semanas, resultado superior aos 15% registrados com a dose padrão.
A nova dosagem ainda precisará passar pelo processo regulatório da Anvisa antes de chegar ao Brasil.
A Anvisa aprovou o registro da versão multidose do Mounjaro, a tirzepatida. Atualmente as canetas são de dose única e devem ser descartadas após a aplicação. Ao contrário da opção disponível até agora, a nova versão permite múltiplas aplicações por um mesmo paciente.
Na prática, isso significa mais controle sobre o ajuste da dose ao longo do mês e sem desperdício de medicação. Além disso, a mudança cria uma expectativa de redução gradual no preço.
Com três boas notícias em sequência, a endocrinologista faz um alerta: avanço regulatório não é sinônimo de liberação para uso sem acompanhamento.
“Nenhuma dessas mudanças autoriza o paciente a aumentar dose por conta própria ou trocar de medicação sem orientação médica. O que mudou foi a nossa caixa de ferramentas. Como usar cada ferramenta continua sendo uma decisão de um médico especializado”, alerta Carolina.
Leia também: Uso de “canetas emagrecedoras” exige acompanhamento médico e atenção ao descarte.
De acordo com o Atlas Mundial da Obesidade, 1 a cada 3 brasileiros está acima do peso ou obeso. A doença já é encarada como uma epidemia e questão de saúde pública. Mesmo com alta incidência, a doença ainda é marcada pelo estigma de quem acredita que emagrecer é apenas uma questão de esforço.
“A obesidade é uma doença crônica, progressiva e multifatorial. Precisamos usar todas as ferramentas disponíveis para isso. Tudo que torna esse tratamento mais simples e menos oneroso aumenta as chances de um tratamento bem-sucedido e duradouro”, finaliza a médica.
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(Reportagem: Heloiza Vieira de Oliveira/Colaboração OBemdito)
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