Ministro Flávio Dino afirmou que a aposentadoria compulsória não pode mais ser aplicada como punição máxima a magistrados (Luiz Silveira/STF)
Uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, reforçou nesta segunda-feira (16) que magistrados não podem mais receber aposentadoria compulsória como punição máxima em processos disciplinares.
O entendimento se baseia nas mudanças introduzidas pela Emenda Constitucional nº 103. Segundo Dino, a alteração constitucional eliminou o fundamento que permitia a aplicação dessa penalidade e estabeleceu que a sanção mais severa contra juízes deve ser a perda do cargo.
A manifestação do ministro ocorreu durante a análise de um recurso relacionado a punições impostas a um magistrado do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro.
No julgamento, Dino derrubou uma decisão do Conselho Nacional de Justiça que havia determinado o afastamento do juiz com manutenção da remuneração e determinou que o caso seja novamente examinado pelo órgão.
Ao justificar a decisão, o ministro explicou que a reforma previdenciária também modificou regras que atingem diretamente a magistratura e as atribuições do CNJ. Com isso, a aposentadoria compulsória deixou de ter respaldo constitucional como punição disciplinar.
Dino destacou ainda que, quando a sanção prevista for a perda do cargo, será necessário o ajuizamento de uma ação judicial, já que magistrados possuem a garantia da vitaliciedade.
Nessa hipótese, caso o CNJ conclua que a demissão é cabível, a ação deverá ser apresentada diretamente no STF pela Advocacia-Geral da União, responsável pela representação judicial do conselho.
Na mesma decisão, o ministro determinou que o presidente do CNJ, Edson Fachin, seja comunicado para avaliar a necessidade de regulamentar o sistema disciplinar do Judiciário, adequando-o ao texto constitucional e deixando claro que a perda do cargo deve ser aplicada nos casos mais graves.
Nos últimos anos, o CNJ tem aplicado com frequência a aposentadoria compulsória em processos administrativos contra magistrados, inclusive em investigações envolvendo suspeitas de venda de decisões judiciais.
Um caso recente que ganhou repercussão envolve o ministro Marco Buzzi, integrante do Superior Tribunal de Justiça, acusado de importunação sexual contra uma jovem de 18 anos.
Segundo reportagens da CNN Brasil, a punição administrativa mais provável, até então, seria justamente a aposentadoria compulsória.
Com o entendimento reforçado pelo STF, situações consideradas graves passam a ter como desfecho possível a perda do cargo, em vez do afastamento remunerado.
(Com informações da CNN Brasil)
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