Brasil

Careca do INSS prepara proposta de delação que cita filho de Lula em esquema, diz site

Preso desde setembro de 2025 sob suspeita de envolvimento em um esquema de descontos irregulares em benefícios de aposentados e pensionistas do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, prepara uma proposta de delação premiada.

Segundo relatos de pessoas a par das tratativas, a iniciativa ganhou força após a prisão do filho dele, Romeu Carvalho Antunes, em dezembro. Romeu é apontado como operador do esquema do pai. O cerco também apertou para o lado da esposa de Careca, Tânia Carvalho dos Santos. Ela é alvo forte da CPMI do INSS. 

De acordo com a coluna de Andreza Matais, do Metrópoles, Careca sinalizou que poderá incluir na suposta delação informações sobre negócios e interlocuções atribuídas a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. 

Careca teria mencionado tratativas nas áreas de educação e saúde, além de articulações empresariais que, segundo ele, poderiam ter relação indireta com o ambiente de contratos investigados no caso do INSS. As informações comprometeriam em cheio Lulinha.

Até o momento, não há acusação formal contra o filho do presidente no âmbito da investigação. A eventual inclusão do nome dele em um acordo dependerá da apresentação de elementos concretos e de validação por provas independentes, como exige a legislação sobre delações premiadas.

Conforme o Metrópoles, Lulinha se mudou para Madri, na Espanha, assim que as investigações sobre o esquema no INSS avançaram. Ele nunca comentou o assunto publicamente. Coube ao pai falar pelo filho. 

“Eu chamei meu filho aqui, e falo isso para todo mundo. Olhe no olho do meu filho e falei: ‘Você sabe a verdade, só você sabe a verdade. Se você tiver alguma coisa, você vai pagar o preço de ter alguma coisa. Se você não tiver, se defenda”, disse Lula ao Uol. 

Na mesma entrevista, o presidente disse que defendeu a instalação da CPMI do INSS e que o esquema só veio à tona por conta de esforços do seu governo. Porém, Lula omitiu a movimentação da base de apoio de seu governo contra o trabalho no Congresso, sobretudo no que diz respeito a Lulinha.

O caso é analisado no STF (Supremo Tribunal Federal), sob relatoria do ministro André Mendonça, porque envolve autoridades com foro privilegiado. A aceitação de eventual acordo caberá à PGR (Procuradoria-Geral da República) e à homologação do Supremo.

Leonardo Revesso

Graduado em Direito pela Unipar, mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e especializando em Neurociência do Consumo pela ESPM. Tutor da Olívia, da Ludi e da Mila. Está no jornalismo há 27 anos (iniciou aos 15). No OBemdito escreve sobre política e consumo.

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