Câmera do programa Olho Vivo instalada em área pública de Umuarama para reforço da segurança (Foto Danilo Martins/OBemdito)
A instalação de novas câmeras de monitoramento em vias públicas de Umuarama tem chamado a atenção da população desde o início de fevereiro e provocado uma série de comentários nas redes sociais. Uma lista com possíveis locais onde os equipamentos estariam sendo instalados passou a circular entre moradores, levantando dúvidas sobre fiscalização de trânsito e aplicação de multas.
Entre os pontos citados estão o entorno do Posto Pinheirão, próximo a sinaleiro; Posto Boa Vista; avenidas Londrina e Tiradentes, nas proximidades da Casa Lima; saída para Xambrê; região do Maxx Atacadista no sentido do cemitério; Lago Aratimbó; Estrada Farinheira, após a Arena Castelo; Jabuticabeira, no sentido Serra, em frente a um laticínio; avenida Castelo Branco, próximo ao Posto Tamoyo; e saída para Maria Helena.
Apesar da repercussão, as câmeras não têm finalidade de fiscalização de trânsito. Os equipamentos fazem parte do programa estadual Olho Vivo, voltado ao reforço da segurança pública por meio de tecnologia de monitoramento e inteligência artificial.
De acordo com levantamento divulgado nesta quinta-feira (12), o programa Olho Vivo já alcançou a marca de 1.012 câmeras instaladas em 22 municípios do Paraná, o que representa 64,9% das 1.560 previstas nesta fase pelo governo estadual. O avanço é mais expressivo no interior, onde 536 das 614 câmeras planejadas já estão em funcionamento.
Cidades como Guarapuava e Maringá estão próximas de atingir 100% das instalações. Londrina, Foz do Iguaçu, Umuarama e Cascavel chegam a quase 90%, enquanto Guaíra e Ponta Grossa se aproximam de 80%.
Os equipamentos contam com recursos de cruzamento de dados, imagens e inteligência artificial em tempo real, permitindo o reconhecimento de suspeitos procurados pela Justiça, a identificação de veículos furtados ou roubados e o rastreamento de rotas.
A tecnologia também possibilita a emissão automática de alertas às forças de segurança e a busca por características específicas de pessoas e veículos, além da localização de pessoas desaparecidas.
O programa é coordenado de forma integrada pela Secretaria da Segurança Pública (Sesp), Secretaria das Cidades (Secid) e pela Superintendência-Geral de Governança de Serviços e Dados (SGSD). A arquitetura tecnológica foi desenvolvida pela SGSD com base em padrões internacionais de segurança da informação, com capacidade para operar em larga escala.
Segundo o secretário estadual de Segurança Pública, Hudson Leôncio Teixeira, a tecnologia não substitui o trabalho policial, mas amplia a capacidade de monitoramento. Ele destaca ainda a integração entre redes estaduais e municipais como um diferencial do Paraná. “A inteligência artificial vem para somar, agilizando o cercamento digital, mas o policial continua sendo fundamental”, afirmou.
Em Umuarama, o município está recebendo 16 novas câmeras, de um total de 32 previstas pelo programa. Uma delas já está instalada na Estação Rodoviária e outra no Pronto Atendimento 24 horas, ambas com tecnologia de reconhecimento facial. Os equipamentos têm como foco auxiliar na localização de criminosos e de pessoas com mandados de prisão em aberto.
Atualmente, Umuarama já conta com 25 câmeras em operação para monitoramento urbano. A prefeitura ressalta que, diferentemente dessas, os novos equipamentos do programa Olho Vivo não têm qualquer impacto na fiscalização de trânsito ou aplicação de multas.
Paralelamente, a Secretaria Municipal de Segurança, Trânsito e Mobilidade Urbana (Sestram) conduz um estudo técnico para avaliar a necessidade de instalação de radares de controle de velocidade na cidade. Há um projeto para a implantação de até 12 equipamentos, mas os pontos ainda não estão definidos.
Segundo a Secretaria de Comunicação Social da prefeitura, quando a Sestram iniciar a instalação dos radares, os locais serão amplamente divulgados e devidamente sinalizados, com antecedência. A implantação será feita de forma escalonada, ponto a ponto, com o objetivo de conscientizar os motoristas sobre os limites de velocidade e reduzir o número de acidentes no município.
O único teste em andamento ocorre na avenida Portugal, onde um controlador eletrônico fixo de velocidade foi instalado no último fim de semana. De acordo com a Sestram, o equipamento está sendo utilizado para testes e coleta de dados dentro de um estudo mais amplo sobre o tráfego na região.
A prefeitura abriu registro de preços para a aquisição, instalação e configuração de equipamentos de fiscalização eletrônica, incluindo controladores fixos de velocidade, controladores com pesagem estatística, radares portáteis e radares semafóricos. A compra, no entanto, dependerá da demanda apontada pelos estudos técnicos, que seguem em andamento.
O prefeito Fernando Scanavaca afirmou que o objetivo das medidas é reduzir a velocidade e aumentar a segurança no trânsito. “Temos registrado muitos acidentes, alguns com mortes ou sequelas permanentes. Precisamos agir para proteger motoristas e a população”, disse.
Segundo o secretário municipal de Segurança, Trânsito e Mobilidade Urbana, Valdecir Capelli, a instalação de radares poderá ocorrer em pontos com alto índice de acidentes, mas dependerá do comportamento dos condutores e dos dados levantados. Ele reforçou que, quando ativados, os radares serão bem sinalizados e amplamente divulgados. “O objetivo é fazer com que os motoristas respeitem os limites e garantir mais segurança nas vias”, afirmou.
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