Paraná

Após uma semana, travessia com balsa no rio Piquiri ainda segue com longas filas

Mesmo após uma semana em funcionamento, a balsa que realiza a travessia do rio Piquiri, na BR-272, continua provocando longas filas nos dois sentidos da rodovia. O tempo de espera varia entre uma hora e meia e duas horas, ou mais. Enquanto isso, motoristas e passageiros aguardam sob sol forte na rodovia.

A situação afeta a todos, mas principalmente quem depende do trecho com frequência. Além disso, o problema tem reflexos econômicos para empresas e trabalhadores do transporte. Como resultado, parte da cadeia logística da região já começa a buscar alternativas.

Fotos: Vagner Delaporte/OBemdito

Relato de trabalhador no transporte de cargas

Segundo o motorista de caminhão Gilberto Callegaro, morador de Iporã, a travessia pela balsa é um obstáculo. Ele transporta areia e utiliza a rota com frequência. “Sempre faço esse trajeto”, afirmou. No entanto, apesar da demora, ele considera que o desvio disponível (que passa por Palotina e Terra Roxa) não é viável para caminhões pesados.

De acordo com Callegaro, utilizar o caminho alternativo aumenta de forma significativa os custos da viagem. O consumo de combustível cresce. O tempo de deslocamento também se amplia. Por isso, ele continua optando pela balsa, mesmo com as filas extensas.

Por outro lado, a lógica muda para veículos menores. Conforme explica o motorista, para carros pequenos não compensa enfrentar a espera. “O desvio leva cerca de 40 minutos”, disse. Nesse caso, o Callegaro considera que o ganho de tempo supera o custo adicional do trajeto alternativo.

Impacto além da escolha da rota

Ainda assim, o impacto vai além da escolha de rotas. Callegaro trabalha transportando cargas de areia e pedra. Segundo o morador de Iporã, alguns profissionais do mesmo setor já estão mudando de fornecedores. Muitos passam a buscar areia, pedra e outros materiais em cidades que não exigem a travessia pelo rio Piquiri neste trecho da BR-272. A decisão visa evitar atrasos e prejuízos financeiros.

Além disso, mesmo quando o desvio é uma opção técnica possível, ele encarece o transporte. Como consequência, o custo final do produto aumenta. Esse efeito pode atingir obras, empresas e consumidores da região.

Enquanto isso, a balsa no Rio Piquiri, no trecho da BR-272, segue operando sem conseguir reduzir consideravelmente as filas. Embora seja uma solução emergencial, a estrutura atual não atende à demanda. Assim, a travessia entre Francisco Alves e Terra Roxa permanece como um gargalo logístico importante.

Horário de funcionamento da balsa

Neste primeiro momento, a operação ocorre das 6h30 às 18h30. Esse horário será mantido enquanto não houver iluminação instalada no local. Após a instalação, o serviço funcionará 24 horas. A expectativa é de que a travessia com a balsa pelo Rio Piquiri demore, em média, 15 minutos, sem contar o tempo de espera para embarcar.

A operação começou no último dia 8 de janeiro com apenas uma balsa. No entanto, há previsão que em até 30 dias (contados do início da operação) a segunda embarcação deve entrar em funcionamento. Cada balsa terá capacidade para transportar até 200 toneladas, entre veículos de passeio e de carga, por travessia.

Operação em caráter provisório

A operação da balsa tem caráter provisório. A solução foi adotada enquanto a ponte sobre o Rio Piquiri permanece totalmente interditada. No local, o Dnit executa serviços de recuperação estrutural.

Segundo o departamento, a prioridade é garantir segurança aos usuários da BR-272. Por isso, a travessia por balsa se apresenta como alternativa segura e controlada. Além disso, o serviço reduz transtornos logísticos.

A ponte segue fechada para veículos por tempo indeterminado. O Dnit não informou prazo para liberação total da estrutura. No entanto, as obras de recuperação seguem em andamento.

(Vídeo: Colaboração de Gilberto Callegaro)

Alex Nascimento

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