Fazenda Santa Fé, em Xambrê, foi ocupada no sábado (27) por famílias ligadas a movimentos sociais (Foto Vagner Delaporte/OBemdito)
Famílias ligadas a movimentos sociais começaram a deixar a Fazenda Santa Fé, em Xambrê, no noroeste do Paraná, após a expedição do mandado de reintegração de posse pela Justiça do Paraná. A informação foi confirmada nesta sexta-feira (2) pelo Escritório de Advocacia Sousa e Uliana, que representa a Associação Colaboradores do Brasil (Colab), administradora da área.
Segundo os advogados, a desocupação já está em andamento. “As famílias estão se retirando, restando apenas algumas. A promessa é de que todas deixem o local ainda hoje”, informou o escritório, em nota.
A ocupação teve início no último sábado (27) e envolveu cerca de 250 pessoas ligadas à Frente Nacional de Luta Campo e Cidade (FNL) e ao Movimento Terra e Alimento (MTA). A área possui 942 hectares, fica na Estrada Cascata e reúne diversas matrículas imobiliárias.
Na noite de segunda-feira (29), a juíza Polyanna Tamaio Zanineli, da Unidade Regionalizada de Plantão Judiciário de Umuarama, expediu o mandado de reintegração de posse, autorizando o oficial de Justiça a retomar a área, com possibilidade de requisição de força policial.
A Secretaria de Estado da Segurança Pública do Paraná (Sesp) informou que equipes da Polícia Militar permanecem na região desde o início da ocupação. A atuação tem caráter preventivo e ostensivo.
“As equipes policiais estão realizando patrulhamento e presença constante na região, a fim de monitorar e manter a ordem”, informou a secretaria.
Ainda conforme a Sesp, a PMPR manteve contato tanto com lideranças do movimento quanto com o advogado que os representa, com foco na segurança de todos os envolvidos, incluindo moradores e funcionários da propriedade.
A Colab afirma que não participa de negociações diretas com os ocupantes e que sempre confiou no cumprimento da decisão judicial. Segundo a entidade, a urgência da reintegração também levou em conta a presença de aproximadamente 2 mil cabeças de gado na fazenda, o que poderia gerar riscos aos animais caso o manejo fosse prejudicado.
Durante o impasse, os movimentos ingressaram com embargos de declaração contra a liminar do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), ainda pendentes de análise, e também com um mandado de segurança, cuja liminar foi negada.
Em manifestações públicas anteriores, FNL e MTA defenderam a permanência das famílias com base em argumentos humanitários e em protocolos de mediação previstos pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Conselho Nacional de Justiça.
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) chegou a sinalizar interesse na possível aquisição da área para fins de reforma agrária, caso houvesse concordância dos proprietários, durante reunião da Comissão Estadual de Mediação de Conflitos Fundiários. O caso foi encaminhado à Comissão de Soluções Fundiárias do TJ-PR.
Criada nos anos 1950 por missionários norte-americanos, a Fazenda Santa Fé tem histórico ligado a projetos sociais e religiosos, mas atualmente é voltada à pecuária de corte. Segundo a Colab, vistorias administrativas anteriores do Incra classificaram a área como produtiva.
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