Umuarama

Onça que atacava carneiros e galinhas em Perobal é capturada pelo IAT de Umuarama

Uma onça-parda foi capturada na noite desta terça-feira (23) em Perobal e solta nesta quarta-feira (24) pelo Instituto Água e Terra (IAT) de Umuarama. O animal, um macho de aproximadamente dois a três anos, estava sendo monitorado após uma série de ataques em propriedades rurais do município.

De acordo com Luis Carlos Borges Cardoso, chefe do IAT em Umuarama, a captura foi realizada em uma armadilha instalada em uma das propriedades mais afetadas. “Essa captura foi feita em Perobal, onde havia atacado várias vezes, matando carneiros, galinhas e bezerros. Era um macho saudável e já foi solto novamente na natureza”, afirmou.

Nos últimos três meses, uma propriedade de Perobal registrou a morte de aproximadamente 20 carneiros, sendo quatro abatidos no fim do mês passado.

Cardoso explica que os ataques se intensificam nesta época do ano, quando as onças entram no período reprodutivo e precisam de mais alimento para si e para os filhotes.

Além disso, as queimadas do último ano reduziram a oferta de presas na mata, levando os felinos a buscar alimento em áreas rurais.

Região em alerta

O Escritório Regional do IAT em Umuarama já registrou cerca de 15 ocorrências recentes de ataques de onças em diferentes localidades, incluindo os distritos de Serra dos Dourados e Santa Eliza, além de municípios vizinhos como Cruzeiro do Oeste, Iporã, Francisco Alves, Tapejara, Maria Helena e Cianorte.

Em Umuarama, um dos episódios mais graves ocorreu no mês passado, na Estrada Primavera, próximo à Torre Eiffel. Um idoso de 70 anos relatou que perdeu dezenas de aves, entre galinhas, patos e gansos, após dois ataques consecutivos em sua propriedade.

Vilson Simplicio dos Santos, fiscal do IAT há 40 anos, explica que a demanda tem crescido além da capacidade de atendimento. “Não temos mais armadilhas para fornecer aos proprietários.

A regional de Umuarama atende 21 municípios, e o número de ocorrências vem aumentando”, disse. Em Serra dos Dourados, segundo ele, houve casos em que vacas, bois e até 40 animais de pequeno porte foram mortos em um único ataque.

Preservação e orientações

O biólogo Mauro Britto, do IAT, lembra que as onças são fundamentais para o equilíbrio do ecossistema. “Embora causem preocupação, os prejuízos relacionados a ataques de onças são bem menores do que os de outras causas comuns em propriedades, como doenças ou acidentes de manejo”, afirma.

Ele alerta que é crime ambiental instalar armadilhas sem autorização e reforça as recomendações de prevenção: uso de iluminação, cercas elétricas e alarmes nas propriedades rurais. “Ao avistar uma onça, o correto é acionar o IAT para que o manejo seja feito com segurança, preservando tanto a população quanto os animais silvestres”, orienta.

Rudson de Souza

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