Cotidiano

“Agora vamos dar a ele o lugar certo”, diz irmã após localização do corpo de Alencar de Souza, em Icaraíma

Em uma operação noturna que durou quatro horas, equipes policiais resgataram na madrugada desta sexta-feira (19) os corpos dos quatro homens desaparecidos desde 5 de agosto em Icaraíma.

Os corpos são de Robishley Hirnani de Oliveira, de 53 anos, Rafael Juliano Marascalchi, de 43 anos, Diego Henrique Afonso, de 39 anos, e Alencar Gonçalves de Souza, de 36 anos.

Eles estavam enterrados em uma vala profunda de solo argiloso, em área de mata fechada, há 650 metros do local onde o veículo utilizado por eles – uma Fiat Toro branca – havia sido localizado soterrado em 12 de agosto.

Leia também: Corpos de desaparecidos em Icaraíma são encontrados pela força-tarefa

A operação de resgate, iniciada por volta das 23h de quinta-feira (18), mobilizou Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Científica, Força Nacional e Instituto Médico-Legal (IML). O solo argiloso e a profundidade da vala dificultaram os trabalhos, que se estenderam pela madrugada.

Para as famílias, o desfecho trágico traz um doloroso alívio após 45 dias de incertezas. Em entrevista ao OBemdito, na manhã desta sexta-feira, Alesandra Gonçalves de Souza, de 37 anos, irmã de Alencar, falou sobre a mistura de dor e encerramento.

“Agora nossas lágrimas são de um coração cheio de dor, mas a espera acabou. Vamos seguir e dar ao corpo dele o lugar certo”.

Investigações e contexto

As vítimas foram vistas pela última vez quando se dirigiam a uma propriedade rural para cobrar uma dívida da família Buscariollo. Desde então, os celulares ficaram inacessíveis. Dois principais suspeitos, Antonio Buscariollo, de 63 anos, e Paulo Ricardo Buscariollo, de 22 anos, permanecem foragidos.

Um terceiro integrante da família, Carlos Henrique Buscariollo, de 27 anos, foi alvo de mandado de busca e apreensão em Santa Bárbara d’Oeste (SP).

Durante as buscas, a polícia encontrou bunkers subterrâneos utilizados para esconder contrabando e drogas vindas do Paraguai, revelando a possível conexão do caso com o crime organizado na fronteira.

Leia também: Corpos dos quatro homens desaparecidos em Icaraíma tinham marcas de tiro no rosto e no abdômen

A Polícia Civil trata o caso como de alta complexidade e deve realizar coletiva de imprensa ainda nesta sexta-feira para detalhar os avanços da investigação.

Para as famílias, o longo período de espera chega ao fim, substituído pela dor da perda, mas também pela possibilidade de sepultar seus entes com dignidade.

Rudson de Souza

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