Esporte

Talento e disciplina colocam Rebeckinha entre as promessas do skate brasileiro

Com apenas 13 anos, Rebeca Peixe, mais conhecida nas pistas como Rebeckinha, já mostra que talento e determinação não têm idade — nem gênero. Em um esporte ainda dominado pelos meninos, a adolescente de Umuarama vem conquistando espaço, medalhas e troféus que comprovam sua habilidade sobre o skate.

A relação com o esporte começou aos 11 anos, quando a curiosidade virou paixão e, rapidamente, dedicação. Desde então, ela se tornou presença constante em campeonatos pelo Paraná e também fora do Estado, onde já subiu diversas vezes ao pódio.

“Já competi em Maringá, Campo Mourão, Cianorte, Guarapuava, Toledo, Paranaguá, Campo Largo, Mundo Novo… Sempre que posso eu participo dos torneios, porque isso ajuda a me aprimorar no esporte”, diz Rebeckinha, em conversa com OBemdito, na Praça Santos Dumont, onde treina. 

Ela conta que, no ano passado, conquistou o 2º lugar no Campeonato Paranaense de Skate em sua categoria, resultado que a levou ao Nacional, realizado em Natal (RN). “De lá não trouxe nenhum título, mas foi uma experiência muito boa”, reconhece.

Neste ano, segue firme na disputa estadual, que terá a última etapa em Cascavel, em setembro [entre os dias 25 e 28], e novamente seu nome aparece entre as favoritas [em 3º lugar, no ranking]. “Acho que vou novamente para o nacional”, comemora.

Rebeckinha em ação: habilidade e coragem sobre as quatro rodinhas

Rayssa Leal inspira Rebeckinha

Rebeckinha tem como grande inspiração a skatista olímpica Rayssa Leal, a ‘Fadinha’, e não esconde o sonho de um dia também representar o Brasil nos Jogos Olímpicos.

Para isso, leva uma rotina de atleta profissional: treina todos os dias com acompanhamento de professor e cuida da preparação física e mental de forma exemplar.

“Faço musculação e sessões com psicóloga”, avisa a menina, que pratica a modalidade street [focada em manobras com obstáculos urbanos, como escadas, corrimãos e bancos].

Voando alto: Rebeckinha sonha em ir para as Olimpíadas

Sobre a admiração por Rayssa, tem um capítulo à parte: em dezembro de 2023, Rebeckinha ficou pertinho da heroína; ela foi assistir ao mundial da Street League Skateboarding (SLS) Super Crown, em São Paulo, evento em que a brasileira conquistou o bicampeonato.

“Levei um cartaz pedindo autógrafo e consegui, dela, também de Nyjah Huston, que é uma lenda do skate, e de outros famosos”, lembra Rebeckinha, com o semblante transbordando contentamento.

 Entre manobras e desafios, Rebeckinha mostra que skate também é coisa de menina

Apoio incondicional da mãe e do professor

Os esforços de Rabeckinha sobre quatro rodinhas [olha, rimou!] têm no apoio familiar um pilar fundamental. A mãe, Jaqueline Peixe, a acompanha em todas as competições.

E mais: vibra com cada conquista e se orgulha da filha que, além de talento, carrega consigo coragem e disciplina. “Mais do que medalhas, Rebeckinha está abrindo caminho para outras meninas que sonham em ocupar espaços no skate”, orgulha-se.

O professor Elivelton Prado também se envaidece quando fala das virtudes de Rebeckinha. “Ela tem expressiva habilidade técnica, que inclui equilíbrio, coordenação, agilidade e força”, descreve. 

E acrescenta: “Ela executa manobras com fluidez, velocidade e criatividade, sempre buscando um bom aproveitamento de pista, ou seja, tem futuro brilhante no esporte”.

Para ambos, a trajetória da skatista umuaramense é prova de que dedicação e amor pelo que se faz podem levar longe… “Quem sabe, até às Olimpíadas; sonhar não custa nada”, exclama a mãe, sorrindo.

Quebrando preconceitos e conquistando respeito: Rebeckinha e a mãe Jaqueline Peixe

Habilidades e queixas

Sonhar não custa, mas praticar skate tem um preço nada camarada. “O esporte é bonito, é realizador, mas é caro”, alega Jaqueline, somando os gastos.

“Só faz um mês que comprei esse tênis [aponta para o pé da Rebeca] e já está com a sola furada… E o shape, tem que trocar a cada dois ou três meses… Não é fácil”, queixa-se Jaqueline, avisando que vai em busca de patrocínio. “É necessário”, reforça.

O que alivia, segundo ela, é o incentivo que recebe da Prefeitura, por meio do Centro da Juventude. “Para as viagens, temos apoio financeiro para transporte, alimentação e hospedagem”, informa.

Treino diário, foco e disciplina: Rebeckinha e o professor Elivelton

Skate: entre preconceitos e barreiras de gênero

A garra de Rebeckinha mostra que skate também é coisa de menina. Apesar de estar cada vez mais presente nos grandes eventos esportivos, o skate ainda carrega estigmas.

Por muitos anos, foi visto como uma prática marginalizada, ligada à rebeldia, e até hoje enfrenta preconceitos sociais. Além disso, ainda é um ambiente predominantemente masculino, onde meninas precisam provar seu valor em dobro para conquistar respeito.

Custos do ofício: tênis comprado há um mês já todo surrado

É nesse cenário que a skatista de Umuarama se destaca, desafiando dois obstáculos. Primeiramente a pouca aceitação de quem ainda olha torto para o skate. E, além disso, a barreira cultural de ser mulher em um espaço historicamente dominado por meninos.

“Com talento, disciplina e títulos conquistados, ela mostra que o preconceito não a paralisa — pelo contrário, serve de impulso para seguir em frente e abrir caminho para outras meninas que também sonham em voar alto sobre as quatro rodinhas”, analisa a mãe.

== Acompanhe a Rebeckinha no Instagram @rebeckinha_sk8/.

Capacete fofo: Estilo dentro e fora das pistas
Inspiração e autógrafo: Rebeckinha com Rayssa Leal, no SLS, em São Paulo – Fotos: acervo pessoal
Toda prosa e confiante: garra da Rebeckinha prova que o futuro do skate feminino é promissor
Graça Milanez

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