Fotos: Reprodução
Um padre, de 41 anos, foi preso neste domingo (24) sob suspeita de abuso sexual durante uma investigação comandada pela Polícia Civil de Cascavel. Segundo as informações, durante a situação os policiais encontraram no local do cumprimento de mandado vários jogos infantis, um videogame e até um brinquedo guardado no guarda-roupas. A detenção faz parte da operação “Lobo em Pele de Cordeiro”, conduzida pelo Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria).
De acordo com a delegada Thaís Zanatta, responsável pelo caso, disse em coletiva à imprensa nesta segunda-feira (25) que o padre suspeito de abuso foi preso de forma preventiva. O religioso estava morando na casa da mãe após ter sido afastado de suas funções em agosto de 2025, quando começaram as investigações.
Segundo a Polícia Civil, as apurações foram abertas em julho de 2025, a partir da denúncia feita por uma tia de uma das vítimas. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em dois endereços do padre, incluindo uma clínica onde ele atuava como terapeuta. Celulares e computadores foram recolhidos para perícia.
De acordo com a investigação, ao menos três vítimas do sexo masculino já foram identificadas. O caso mais antigo remonta a 2009 e 2010, quando o suspeito ainda era seminarista. Já em 2013 e 2014, ele teria oferecido presentes, bebidas e dinheiro a acólitos – alguns menores de 14 anos – que dormiam em sua casa. O episódio mais recente é de 2019 e envolve um jovem de 19 anos, acolhido pelo padre para tratamento de dependência química, que teria sido dopado e abusado sexualmente.
Até o momento, 11 pessoas foram ouvidas, sendo três reconhecidas como vítimas formais. A delegada destacou que outros relatos podem surgir, já que alguns depoentes só se identificaram como vítimas no momento da oitiva. O padre segue detido na cadeia pública de Cascavel e poderá ser transferido para uma penitenciária. Ele será interrogado ao fim do processo investigativo.
As acusações contra o padre incluem estupro de vulnerável, considerando o uso de álcool, drogas e situações de sonolência que comprometeriam a resistência das vítimas.
O arcebispo metropolitano de Cascavel, Dom José Mário Scalon Angonese, afirmou em nota que a Igreja busca a verdade e defende que a justiça seja feita. “O desejo sincero da Igreja é que a verdade venha à tona. Se o padre de fato cometeu o delito, ele deve responder por isso”, afirmou.
Ele ressaltou que o padre foi suspenso e responde a um processo canônico, que poderá resultar em sua demissão do estado clerical. O religioso reforçou ainda que denúncias formais são essenciais para que providências sejam tomadas. “Suspendemos o padre e abrimos um processo de investigação, que já está em andamento. Temos um prazo de 90 dias na diocese, e depois o caso é encaminhado à Congregação para a Doutrina da Fé e do Clero, em Roma, onde será julgado. Se confirmada a pedofilia, a decisão é clara: demissão do estado clerical, deixando de ser padre”, acrescentou.
*Com informações CGN e Catve.
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