Brasil

Vídeos de produtores jogando alimentos no lixo são usados para confundir sobre preços

Recentemente, uma série de vídeos circulando nas redes sociais de produtores jogando alimentos no lixo tem gerado desinformação ao insinuar que práticas recentes do agronegócio foram a causa do aumento nos preços dos hortifruti nos supermercados.

Na verdade, conforme apurou o site ‘Aos Fatos’, de checagem de informações, os registros mostram descartes de frutas e legumes ocorridos em 2024 devido à saturação do mercado e a consequente desvalorização de determinados produtos.

As cenas chocam, sobretudo num país onde milhares têm pouquíssima comida na mesa.

A primeira gravação, exibindo cebolas sendo descartadas, remonta a dezembro passado. A pessoa no vídeo justificou a ação pela forte queda nos preços do produto, corroborada por dados da Conab e do IPCA, que indicam decréscimo significativo em 2024.

O legume viu seus valores despencarem cerca de 26% ao longo do ano passado, registrando uma baixa adicional no último mês de 2,32%.

Outro vídeo, desta vez envolvendo jiló, mostra seu descarte em uma estrada e vem circulando desde novembro do ano passado.

Segundo a narração do registro, o descarte foi uma última medida após tentativas de doação falharem, mesmo depois de o item sofrer drásticas oscilações de preço, subindo de R$ 30 a R$ 140 por caixa e posteriormente caindo com o aumento na produção.

Impactos limitados sobre a inflação

Aniela Carrara, especialista do Cepea da Esalq/USP, explicou que o impacto de descartes isolados sobre a inflação é limitado. “Necessitaria de volumes massivos para alterar significativamente o IPCA,” ressaltou ela.

Esse falso alarme perpetuado por vídeos mal contextualizados desvia a atenção das reais causas inflacionárias, preferindo apontar para práticas do agronegócio já estabelecidas e antigas.

Jogar alimentos no lixo é uma estratégia necessária?

O descarte de alimentos no lixo, conforme o Incaper, é uma estratégia necessária em cenários onde os custos logísticos superam os ganhos nas vendas; dessa forma, pouca ou nenhuma carga está voltada a manipular preços globais ou regionais.

Além das cebolas e do jiló, imagens de sacas de pimenta também integram essa leva de desinformação de produtores jogando alimentos no lixo, erroneamente contextualizadas para 2025, quando são de 2024.

Imagens de tomates são de 2013

Sem contar no recente post reutilizando vídeos de tomate, alguns datando de 2013, apresentados como cenas atuais em um esforço de pintar um quadro enganoso sobre práticas agrícolas.

A seletiva reprodução recorrente dessas imagens ressalta a problemática da credulidade online e a urgência por verificabilidade de dados antes de se tomar conclusões amplas.

Por fim, é necessário dar ênfase às políticas governamentais de auxílio, como é o caso do PGPAF e do Pronaf, que existem para minimizar perdas financiadas promovendo suporte aos produtores ao garantir preços compatíveis.

Desta maneira, propagandas embasadas puramente na aparente incerteza momentânea falham em reconhecer o complexo cenário intrínseco ao sistema agrícola e ao mercado volátil.

Leonardo Revesso

Graduado em Direito pela Unipar, mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e especializando em Neurociência do Consumo pela ESPM. Tutor da Olívia, da Ludi e da Mila. Está no jornalismo há 27 anos (iniciou aos 15). No OBemdito escreve sobre política e consumo.

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