Umuarama

Onça-parda, gato-maracajá ou jaguatirica? Felino é flagrado no Lago Aratimbó, em Umuarama

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra um felino andando entre as árvores do Lago Aratimbó. Um áudio que acompanha a imagem informa que a gravação foi feita nesta segunda-feira (20) e que seria uma onça em Umuarama.

Em virtude da qualidade da gravação, é difícil conseguir afirmar com precisão qual a espécie do animal, que pode ser uma onça-parda, um gato-maracajá ou uma jaguatirica.

OBemdito conversou com o biólogo Gilberto Aguiar. Ele disse que um gato-maracajá estaria descartado pelo tamanho. Esta espécie tem normalmente entre 60 cm e 80 cm e o animal registrado parece ser maior, apesar de ter cauda aparentemente comprida e com listras anelares, o que seriam características do gato-maracajá.

As espécies com maior possibilidade são a jaguatirica ou a onça-parda (conhecida como sussuarana). A jaguatirica tem hábitos noturnos, é solitária e tem cauda com circunferência anelar e curta (40 cm a 60 cm), além de corpo menos robusto.

“A atitude do felino em Umuarama, atrás da árvore demonstra um dos motivos do seu nome, onde o termo ‘jaguatirica’ tem origem na língua tupi-guarani, através da junção dos termos îagûara (onça) e tyryka (recuo, afastamento, fuga), significando, portanto, ‘onça que se afasta’, atitude observada no vídeo gravado”, informa Aguiar.

Biólogo acredita que não era onça em Umuarama

O biólogo acredita não se tratar de uma onça-pintada, pois o animal registrado aparenta ter cauda com manchas em formato anelar e a onça apresenta o corpo coberto por pelos, sendo que estes se apresentam na cor amarelo-dourado com manchas pretas na cabeça, no pescoço e nas patas. Essas manchas seguem pela cauda igualmente no restante do corpo, além de terem corpo mais robusto (musculoso) e maior porte.

Foto: Reprodução/OBemdito

IAT monitora aparição do felino

OBemdito também manteve contato com o chefe do escritório regional do Instituto Água e Terra (IAT), Luis Carlos Borges Cardoso. Após receber o vídeo, ele esteve com sua equipe no Lago Aratimbó na tarde desta terça-feira (21). Cardoso acredita se tratar de um filhote de sussuarana (onça-parda), animal que é visto esporadicamente na região de Umuarama.

A equipe do IAT analisou as imagens e verificou ‘in loco’ se tratar realmente do lago. A análise indicou inclusive que um monte de folhas que aparece na filmagem ainda está no local, o que comprova que o vídeo é recente.

“Vamos tentar monitorar o local, mas vamos depender da ajuda da população. Quem encontrar qualquer vestígio ou até mesmo ver o animal, que pode ser uma onça-parda, pode entrar em contato com o IAT para irmos tentar capturar o felino”, disse. O telefone para contato com o IAT é (41) 9554-2609.

População teme ataques

Nas redes sociais as pessoas demonstraram temor de ataques de onça em Umuarama. Cardoso explicou que um ataque a humanos é raro, mas não está descartado caso o animal se sinta muito acuado ou ameaçado. No entanto, ataques a animais de pequeno porte, como cães e gatos, além de aves, costumam acontecer.

O biólogo Gilberto Aguiar complementou que no Lago Aratimbó uma onça-pintada teria apenas as capivaras como opção de alimentação. Por outro lado, a jaguatirica possui muitas opções, como répteis, anfíbios, pequenos mamíferos e até peixes.

“Sem imagens com maior nitidez ou com detalhes que não conseguimos observar no vídeo não podemos descartar por completo a possibilidade de o animal ser uma solitária e juvenil onça-pintada. Isso não seria inviável, pois há inúmeros relatos de onças na região entre Umuarama, Maria Helena, Cruzeiro do Oeste”, informou Aguiar.

“Fomos ao local, mas as condições climáticas não permitiram observar as pegadas (do animal). Porém, no vídeo vemos o seu comportamento fugido e solitário e algumas características observadas, nos apontam que nossa fauna ainda conta com Jaguatirica, sendo esse felino bem ágil e solitário. É uma espécie vital para a biodiversidade”, acrescentou.

A reportagem de OBemdito falou com a Polícia Ambiental de Umuarama, que relatou apenas ter recebido informalmente alguns relatos sobre o animal.

Foto: Reprodução/OBemdito
Jaqueline Mocellin

Olá, eu sou Jaqueline Mocellin e trabalho no site OBemdito desde dezembro de 2016. Atuo como jornalista e editora. Sou formada em jornalismo pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), pós-graduada em Comunicação, Educação e Artes pela Unipar/Cascavel e atualmente curso Direito na UniAlfa Faculdade. Estou sempre em busca da emoção que o jornalismo pode proporcionar. Sou apaixonada pela minha profissão, levo muito a sério a ética de trabalho e a correta apuração dos fatos.

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