Foto de Graça Milanez Graça Milanez Publisher do OBemdito

Seguindo receita tradicional, microempresária faz pamonha há mais de trinta anos

Seguindo receita tradicional, microempresária faz pamonha há mais de trinta anos
Vanda e a filha Rogéria: planos para instalar uma fábrica de pamonha já no ano que vem - Foto: Danilo Martins/OBemdito
Foto de Graça Milanez
Publicado em 24 de dezembro de 2023 às 16h55 - Modificado em 20 de maio de 2025 às 18h56

Se você achar caro pagar R$ 9,00 numa pamonha para e pensa no trabalho que dá pra fazer. O conselho é de Vanda Aguiar Nogueira, 64 anos, moradora do Jardim Tamoio, que há 30 se dedica a preparar a iguaria, que herdamos dos povos indígenas.

Vamos pensar, então: o milho precisa ser plantado, cultivado, colhido e transportado até a casa da Vanda, que vai tirar a palha, cortar os grãos, bater no liquidificador até virar uma massa pastosa, acrescentar outros ingredientes à essa massa, que depois é embrulhada, em porções, nas palhas do milho [selecionadas, criteriosamente, na hora em que as espigas foram descascadas] e levada à panela para ser cozida.

Ah, antes da etapa do embrulhar, as palhas foram congeladas e aferventadas. Depois de cozida, uma a uma, as pamonhas são colocadas em saquinhos e etiquetadas [sim, todas saem da casa da Vanda com rótulo contendo lista de ingredientes e valor nutricional, entre outros dados obrigatórios].

Imagine fazer 500 por semana? Essa é a média de produção da Vanda, que fornece o produto sempre fresquinho [ops, quentinho!] para supermercados e para comercialização nas feiras de hortifrúti das terças, quartas, sextas e domingos. “Já cheguei a fazer mil por dia, durante muito tempo”, exclama a microempresária.

Mãe e filha produzem cerca de 500 pamonhas por semana

“Isso foi antes da pandemia; meu marido vendia nas ruas de Umuarama, de carro, anunciando com alto-falante… teve que parar e não voltou mais, desistiu!”, diz Vanda, acrescentando que, antes do surto da covid-19, a procura na feira era maior. “Eu tinha uma freguesia grande de idosos que iam à feira comprar, porém não vão mais”, comenta, sem lamentos.  

Com calma: palhas do milho são selecionadas para embrulhar as pamonhas

É que Vanda tem outro foco, agora: tem um sonho para realizar, já no ano que vem. Quer abrir uma fábrica de pamonha, curau, bolo e outros produtos à base de milho verde, em sociedade com a filha Rogéria Manara, 42 anos, que é feirante.

Curau da Vanda e da Rogéria também tem venda garantida

Há cinco anos as duas trabalham juntas. São horas do dia e, muitas vezes, da noite, concentradas na produção. “Eu aprendi com minha mãe e agora ensinei minha filha… Isso me deixa feliz”, exclama Vanda.

Em relação à matéria-prima, elas preferem a genuinamente paranaense. Costumam comprar o milho verde de produtores de Umuarama, dos distritos de Lovat e Serra dos Dourados, e dos municípios vizinhos, Ivaté, Douradina, Mariluz e Cruzeiro do Oeste. Na entressafra, vem de Minas Gerais, Goiás… “Mas o milho do Paraná é o melhor! Não tem igual!”, elogia Vanda.

Sem desperdício

Para aproveitar a palha do milho, a que vai embrulhar as pamonhas, Vanda e Rogéria cortam, primeiro, as pontas das espigas. Assim, as palhas ficam no tamanho ideal e ‘bonitinhas’ para serem utilizadas.

As pontas [mais de duas mil por semana] são descartadas, mas não vão para o lixo; viram alimento para o gado de um produtor rural que vai à casa da Vanda buscá-las.

Muita prática: Vanda corta pontas das espigas usando faca com facilidade incrível

É uma sobra significativa. A conta é simples: por semana, elas compram dez balaios de milho; cada balaio vem com aproximadamente 120 espigas, o que dá 1,2 mil espigas.  

Encomendas podem ser feitas pelo WhatsApp (44) 99717-7490.

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