Saúde

Com 39 casos confirmados em nove meses, sífilis é tema de ações do Ambulatório de Infectologia

O terceiro sábado de outubro, que neste ano cai dia 21, é o Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita. Em Umuarama, onde 39 casos foram registrados em nove meses (sendo 36 adquiridas e três em gestantes), as ações de informação e orientações sobre a doença são coordenadas pelo Ambulatório de Infectologia, vinculado à Secretaria Municipal de Saúde. Até o final do mês serão realizadas palestras e capacitações em empresas e instituições.

O cronograma de ações desenvolvido pelo Ambulatório de Infectologia foi iniciado nesta terça-feira (10), com a palestra ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis) e Sífilis, apresentada pela psicóloga Lucinéia Ceolin e pela estagiária em psicologia Lorena Ruiz a pessoas em situação de rua e usuários do Albergue Apromo.

“A mensagem-alerta nunca é demais ser repetida: o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais, além, claro, do uso de preservativos para prevenir essa doença tão antiga e que ainda persiste em nossa sociedade”, pontua a assistente social Maria de Lourdes Gianini, coordenadora do Ambulatório de Infectologia.

Ela conta que no dia 18 (uma quarta-feira), Lucinéia e Lorena levam a mesma palestra aos colaboradores da Panificadora Real, contribuindo com a Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho (Sipat), evento que a empresa vai realizar na próxima semana.

“São mais de 50 profissionais, que serão divididos em duas turmas: uma das 13h às 14h e outra das 14h às 15h. Quanto mais conhecimento se tem sobre o tema, menor a chance de a pessoa deixar-se contaminar. As profissionais também falam diretamente às gestantes sobre a importância de realizar o tratamento durante o pré-natal, evitando que a mãe transmita para o bebê”, esclarece.

No dia 20 (sexta-feira), é a vez dos agentes de endemias passarem por capacitação sobre o tema, em encontro que será realizado das 13h30 às 16h no auditório da Secretaria Municipal de Saúde, coordenado pelo médico infectologista Ricardo Delfini Perci.

“O encerramento do ciclo de treinamentos será encerrado também por Dr. Ricardo no dia 27, desta vez em capacitação de agentes comunitários de saúde. A participação desses profissionais e gestores de saúde nas atividades comemorativas da data é realmente importante, porque eles estão diariamente em contato com os cidadãos umuaramenses”, comenta Maria de Lourdes.

Sobre a Sífilis

O médico infectologista Ricardo Delfini Perci explica que a sífilis, também chamada de lues em certas regiões, é uma infecção causada pela bactéria Treponema pallidum. “É curável e exclusiva do ser humano, tendo como principal via de transmissão o contato sexual, seguido pela transmissão para o feto durante o período de gestação de uma mãe com sífilis não tratada ou tratada inadequadamente. Também pode ser transmitida por sangue contaminado”, especifica.

Os sinais e sintomas da sífilis variam de acordo com o estágio da doença, que se divide em latente – quando não aparecem sinais ou sintomas –, primária – quando há uma ferida, geralmente única, no local de entrada da bactéria (pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca, ou outros locais da pele), que aparece entre 10 a 90 dias após o contágio.

Secundária – quando aparecem manchas no corpo, que geralmente não coçam, incluindo palmas das mãos e plantas dos pés, febre, mal-estar, dor de cabeça e ínguas pelo corpo – e terciária – que pode surgir de dois a 40 anos depois do início da infecção, com lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas.

Sífilis Congênita

É a infecção transmitida da mãe para o bebê e pode ocorrer em qualquer fase da gravidez. “O risco é maior para as mulheres com sífilis primária ou secundária. A sífilis materna, sem tratamento, pode causar má-formação do feto, aborto espontâneo e morte fetal.

Na maioria das vezes, porém, o bebê nasce aparentemente saudável e os sintomas aparecem nos primeiros meses de vida: pneumonia, feridas no corpo, alterações nos ossos e no desenvolvimento mental, surdez e cegueira”, frisa.

O tratamento, segundo Dr. Perci, é feito com antibióticos e deve ser acompanhado com exames clínicos e laboratoriais para avaliar a evolução da doença e estendido aos parceiros sexuais. “A sífilis é uma infecção curável, com tratamento relativamente simples, mas pegar uma vez não promove imunidade. Nas formas mais graves da doença, como na fase terciária, o não tratamento adequado pode levar à morte”, alerta.

(Assessoria)

Redação

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