Foto de Graça Milanez Graça Milanez Publisher do OBemdito

Designer de moda desenvolve método de estampar tecidos com pigmentos de plantas

Designer de moda desenvolve método de estampar tecidos com pigmentos de plantas
A designer Jaqueline Hardt, em seu ateliê: proposta é ensinar e conscientizar - Foto: Danilo Martins/OBemdito
Foto de Graça Milanez
Publicado em 1 de julho de 2023 às 12h30 - Modificado em 21 de maio de 2025 às 05h54

Basta dar uma revistada na história para encontrarmos a confirmação: os povos antigos já usavam plantas para colorir fibras, fios e tecidos, de forma, claro, ‘bem’ artesanal. Mas, por n motivos, a partir do século 19, os corantes naturais foram dando vez aos sintéticos e… o resto da história a gente sabe.

Agora, atendendo aos suplícios da consciência ecológica, estamos presenciando um retorno à técnica, que se fortalece no desejo de grifes mais afinadas com questões socioambientais. Embora ainda esteja engatinhando no mercado têxtil, o despertar pelo sustentável embala estudos e experimentos mundo afora.

Em Umuarama, a designer Jaqueline Hardt Silveira, 25 anos, faz a parte dela. Formada em Moda pela Unipar e atualmente aluna do mestrado multidisciplinar em sustentabilidade da Universidade Estadual de Maringá e Instituto Federal do Paraná, se concentrada em pesquisas sobre tingimento natural e no desenvolvimento de um método para replicar o que aprende em cursos e oficinas.

“Comecei meus primeiros ensaios nessa área ainda na graduação e desde então só fui me aprimorando, sempre com a certeza de que é o caminho que pretendo seguir, afinal, sou curiosa por natureza”, afirma a estilista, que é natural de Pinhão, centro-sul do Paraná, mas mora em Umuarama desde 2016.

Horas e horas por dia em meio a plantas que colorem

“Eu me apaixonei pela cidade e escolhi ficar por aqui para construir minha carreira”, exclama. Em seu perfil no Instagram, escancara sua paixão pela causa: “Nasci e cresci em meio à majestosa mata das araucárias e isso me trouxe grande admiração e respeito pelas plantas…”.

Cascas de cebola, romã, barbatimão, jatobá, abacate e araucária; rizoma da cúrcuma ou ela em pó; ferrugem; e folhas da erva mate, eucalipto e goiaba; e sementes de urucum são alguns dos ingredientes mais usados pela pesquisadora para tingimento de blusas, ecobags, tecidos para forrar almofadas aromaterapêuticas e lenços. “Com essa técnica, as peças ficam diferenciadas e ganham muito charme”, exclama Jaque.

Menos impacto negativo na natureza: tingimento natural ainda imprime charme às peças

Mas, acima de tudo, ela diz que quer trabalhar com o objetivo de despertar as pessoas para o universo dos corantes naturais e, assim, evitar mais poluição. “Em meus cursos, além de ensinar as técnicas de extração de pigmentos e impressão botânica, procuro inspirá-las, destacando os temas ‘sustentabilidade’ e ‘consumo consciente’, porque andam juntos nessa missão”, pontua.

Citando especialistas, ela enfatiza que os corantes químicos na indústria têxtil geram alto grau de poluição, já os naturais são biodegradáveis e têm baixa toxidade: “A intenção é levar meus ‘alunos’ a entenderem que podemos ver os corantes naturais como um bom caminho para ligar a indústria têxtil à sustentabilidade e, o que é melhor, existem já muitos estudos que validam esse prognóstico”.

Corantes naturais: sementes, folhas e cascas são os materiais de pesquisa e trabalho
Ama o que faz: Jaque começou os primeiros ensaios na faculdade de Moda
Técnicas usadas seguem embasamentos científicos
Jaque usa blusa [top] tingida com folhas de goiabeira e eucalipto e ferrugem; para dar cor ao vestido, usou casca de romã e ferrugem

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