Foto: Danilo Martins/OBemdito

Umuarama

Jovem prodígio de Umuarama é aceito em 10 universidades dos Estados Unidos

A ideia que surgiu durante a Pandemia em breve irá se tornar uma nova realidade para Davi Jardim Guidelli, de 18 anos

Foto: Danilo Martins/OBemdito
Jovem prodígio de Umuarama é aceito em 10 universidades dos Estados Unidos
Luiz Fernando
OBemdito
23 de abril de 2023 19h10

O jovem Davi Jardim Guidelli, de 18 anos e morador de Umuarama, acabou de se formar no Ensino Médio e já tem motivos para uma comemoração extra, pois ele traz consigo o orgulho para si e para a Capital da Amizade de ter sido aceito em 10 universidades dos Estados Unidos, incluindo a melhor universidade católica do mundo.

OBemdito bateu um papo com o rapaz, que explicou que a ideia de se estudar no país norte-americano veio logo no início da Pandemia de Covid-19 no Brasil. “Eu comecei a ler alguns livros e em maio de 2020, esses livros me deram um gatilho mental e eu pensei: ‘Poxa, talvez no futuro eu precise estar em outro lugar para conquistar minhas ambições'”, revelou. “Daí em 2020 eu decidi e desde então eu tenho buscado esse sonho”.

O jovem – que traçou como objetivo cursar engenharia desde criança -, considerou que para seguir seu sonho de se tornar um grande engenheiro mecânico ele precisaria buscar conhecimentos e experiências em outros países, e para tal escolheu os Estados Unidos. Além do curso optado, Davi disse que também irá expandir seus conhecimentos para outras áreas. “Eu vou estudar Engenharia Mecânica, mas como eu também tenho direito a estudar um curso de menor carga horária, eu vou fazer Engenharia Mecânica e Negócios”, acrescentou.

Até o penúltimo ano do Ensino Médio, Davi estudou no Colégio Dynamis – atualmente chamado de Elite Rede de Ensino -, porém em 2022, em seu último ano, ele decidiu que teria melhores oportunidades de estudar nos Estados Unidos se estivesse matriculado em um colégio especializado em preparar alunos para estudarem no exterior. Foi então que ele foi estudar no colégio de ensino bilingue St. James’ International School, localizado em Londrina.

“Eu fui pra Saint James no ano passado porque ela já é acostumada em mandar os alunos dela para fora do país”, disse. “E acabou dando tudo certo, foi a decisão certa a se tomar”, acrescentou.

Pouquíssimos selecionados

A preparação para ingressar em um curso de nível superior nos Estados Unidos é completamente diferente de como é feita a seleção no Brasil. “Primeiro que o processo não é como um vestibular, digamos assim”, explicou Davi. “A realidade é que você entra no site (da instituição) e no site você faz tudo que você precisa. Então você não tem que ir lá presencialmente e fazer uma prova só para a universidade e tudo mais”.

Os critérios de seleção, segundo o jovem, levam em consideração o rendimento escolar de anos atuais e anteriores ao da matrícula. “Eu tenho que enviar algumas notas, meu histórico escolar, meus boletins, inclusive uma recomendação do meu orientador. Eu tive que enviar as notas do SAT (Scholastic Aptitude Test – Teste de Aptidão Escolar) e Toefl (Test of English as a Foreign Language – Teste de Inglês como Língua Estrangeira)”.

Além dos exames, o estudante também teve que apresentar alguns comprovantes de atividades extracurriculares. “Eu tenho que enviar 10 certificados de atividades extracurriculares que tem que demonstrar liderança, produtividade, engajamento acadêmico, interesse científico. Você tem que enviar 5 honrarias ou certificados e diplomas, cartas de recomendação de professores, além de enviar alguns comprovantes de rendimento financeiro, para a universidade ter certeza que você tem condições de pagar”, continuou. “E por último, cada universidade é diferente, mas foram as redações”.

O rapaz explicou que os avaliadores levam em consideração tudo o que é feito nos últimos 4 anos de estudo, que pra eles é o período de High School, equivalente ao Ensino Médio brasileiro. Em seu último anon e “correndo contra o relógio”, Davi tomou como prioridade as provas que ele iria realizar, além de algumas atividades extracurriculares.

A questão financeira também foi uma coisa que com certeza pesou durante o processo de seleção, de acordo com Davi. Para ele, mesmo que um estudante cumpra todos os requisitos, os avaliadores ainda consideram a possibilidade do aluno não conseguir arcar curso.

“Tem uma amiga minha que é uma aluna excepcional, só que se eu não me engano ela só teve condições de arcar com 10% do curso. Poucas universidades aceitaram ela. Se não me engano, acho que ela foi aceita em uma só das 20 que ela aplicou”, lamentou ele. “Então assim, a questão financeira é um fator que pode mudar ou não”.

O umuaramense participou do processo de seleção para 19 universidades estadunidenses. Destas, 3 ele foi recusado em 6, ficou na lista de espera de 3 e 10 aceitaram seu pedido. A instituição escolhida por Davi acabou sendo a University of Notre Dame, localizada em South Bend, no estado do Indiana – que é considerada por muitos rankings como a melhor universidade católica do mundo.

Confira abaixo a lista de universidades que aceitaram Davi:

  • University of Notre Dame – South Bend, Indiana, EUA
  • Duke University – Durham – Carolina do Norte, EUA
  • Vanderbilt University – Nashville, Tennessee, EUA
  • Purdue University – West Lafayette, Indiana, EUA
  • Olin College of Engineering – Needham, Massachusetts, EUA
  • University of Illinois at Urbana – Champaign, Illinois, EUA
  • Case Western Reserve University – Cleveland, Ohio, EUA
  • Villanova University – Villanova, Pensilvânia, EUA
  • Union College – Barbourville, Kentucky, EUA
  • Rochester Institute of Technology – Rochester, Nova York, EUA

Leitura, estudos e… basquete?

A rotina de estudos e desenvolvimento de projetos de Davi foi intensa e para ser aceito nas universidades não poderia ser diferente. Ele revelou ao OBemdito que, além de leituras específicas e ocasionais, ele dedicava cerca de 7 horas todos os dias para estudar e escrever redações. “É claro, depende da época do ano também. Quando chega na época final do ano que é a reta final, é o dia inteiro escrevendo redação“.

Outro projeto que impulsionou a abertura das vagas à Davi foi um projeto desenvolvido em Londrina, que inclusive chamou a atenção de um setor da universidade de Notre Dame, que, uma vez que o jovem foi aceito, o propôs ao jovem dar continuidade com o apoio financeiro e educacional necessário.

“É um projeto que eu fiz lá em Londrina em parceria com a universidade de Filadélfia, fiz com um professor de física de lá. Nós criamos um filtro utilizando bambu, uma centrífuga que quando a água chega ao centro, a força centrífuga do movimento acaba forçando a água para dentro das fibras do bambu, então quando ela passava pelas fibras do bambu ela era filtrada”, explicou.

Com o projeto, Davi venceu uma olimpíada científica em Londrina, ficando em quarto lugar no seu segmento, dentre outros 500 projetos apresentados de todo o Brasil e outros países da América, como o México, Paraguai, Colômbia, entre outros. “Ter ficado em quarto lugar já é uma coisa muito grande, sabe?”

Um requisito bastante necessário para viajar para outro país é com certeza dominar o idioma do local. Para isso, Davi se preparou durante anos estudando e fazendo cursos de inglês na Capital da Amizade. Porém sua fluência foi alcançada de uma forma bastante inusitada: jogando basquete on-line.

Segundo ele, a interação com o esporte de forma on-line criou um ambiente imersivo que possibilitou que ele precisasse descobrir os significados das palavras para progredir no game e é claro, também desenvolver o gosto pelo idioma.

Orgulho da família

Davi entretanto não foi isento da clássica preocupação paterna. Ele teve que ter bastante paciência e conversas sérias com seu pai para convencer o homem de que aquilo era realmente parte de seu sonho. “No começo, em 2020, meu pai estava meio ‘assim’ e não queria que eu saísse para fora do país. Demorou uns 6 meses para eu convencer ele”, confessou o rapaz. “Eu acho que eu consegui de fato convencer ele em setembro de 2020, quando eu falei: ‘Pai, quero ir'”.

Após os pais entenderem o sonho do filho, ambos se dedicaram integralmente a apoiá-lo. “Hoje meu pai pergunta mais que todo mundo sobre o processo. Eles ficaram bem felizes, eu gravei algumas das reações de quando eu passei – assista abaixo -, principalmente da minha mãe. Ela é bem expressiva, então eles ficaram bem animados, talvez mais que eu, porque Nossa Senhora…”, brincou.

Veja a reação do jovem e de sua família vendo algumas aprovações:

No momento, Davi só está esperando os trâmites finais de conclusão de sua matrícula na universidade. Porém a viagem já está agendada para agosto. Como ele já tinha passaporte e já havia viajado anteriormente ao país, tudo que ele precisa agora é esperar a Universidade enviar o documento de comprovação para emissão do visto de estudante.

“A adaptação vai ser um negócio bem tranquilo porque lá eles tem uma comunidade brasileira lá muito forte. Se não me engano são uns 50 ou 60 alunos naquela comunidade especificamente. Eles já me colocaram em grupos dos brasileiros, colocaram meus pais em grupos de pais de alguns brasileiros”, explicou. “Tem um pai de aluno que todo dia pergunta para o meu pai como está o processo, se precisamos de alguma ajuda, então assim, o pessoal é bem receptivo“, expôs.

Ao fim, a mensagem que Davi deixa aos estudantes que estejam alinhados com seus interesses de estudar em um país estrangeiro – não somente os Estados Unidos – é de que eles devem considerar levar alguns fatores em consideração.

“A primeira é buscar ajuda de alguém que entende, não faça as coisas sozinho porque vai ser mais complicado; segunda seria focar em coisas além da escola, mas foque em aspectos produtivos que vão agregar valor não só ao seu currículo como também para a sua vida; e a última coisa é disciplina, porque é um processo complicado então você tem que sempre ser muito produtivo, então ter disciplina, manter um cronograma fixo e ter na cabeça que essa ambição vai ser recompensada é essencial”, finalizou.

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