Antônio Garcia de Mattos, 73 anos | Foto: Arquivo da família
O morador de Altônia, Antônio Garcia de Mattos, 73 anos, faleceu após complicações causadas pelo Coronavírus, na manhã de sábado (8). O homem foi um dos poucos sobreviventes da tragédia na PR-323, que envolveu o ônibus da Secretaria de Saúde de Altônia e um caminhão, no dia 31 de outubro de 2016.
De acordo com o filho de Antônio, Agnaldo de Matos, 52 anos, o pai e a mãe contraíram o vírus em São Paulo, quando foram visitar um dos filhos. Assim que retornaram para Altônia, no mês de abril, ambos começaram a ter os sintomas da doença.
“Fizemos os testes. Meu pai e minha mãe foram positivados. A minha mãe se recuperou bem, mas, meu pai só foi piorando. Levamos ele ao hospital, ele ficou internado e depois foi transferido para a UTI de Sarandi. No total ele ficou uns dez dias intubado. Antes de morrer, o médico contou que o pulmão dele estava bem infeccionado e que o corpo já estava tendo uma infecção generalizada. Então, no sábado, por volta das 9h ele faleceu”, conta Agnaldo.
Antônio é natural de Mandaguari. Era casado com Dona Itamar há 55 anos e teve oito filhos. Veio para Altônia no início dos anos 2000. O homem era aposentado e morava no centro da cidade, juntamente com a esposa. Antes de se aposentar, Antônio trabalhava como lavrador.
Recentemente, um dos filhos do casal, de 44 anos, também faleceu por complicações da Covid-19. Além do filho, Antônio ainda perdeu o irmão, de 60 anos, pela mesma doença. Segundo Agnaldo, nem Antônio e nem os outros dois familiares possuíam comorbidades.
“O meu pai era um homem exemplar, tanto como pai, como irmão, como pessoa. Criou seis homens e duas mulheres trabalhando na roça e nos ensinou muitos valores. Sempre teve boa vontade de ajudar o próximo e foi fiel às pessoas que compartilhavam a vida com ele. Ele deixa boas lembranças. Para mim, ele é um herói”, diz Agnaldo.
Acidente com ônibus da Saúde na PR-323
No dia 31 de outubro de 2016, 21 pessoas morreram em um acidente envolvendo um ônibus da Secretaria de Saúde de Altônia e um caminhão-tanque, na PR-323. O ônibus seguia em direção a Umuarama transportando pacientes para consultas médicas, quando colidiu frontalmente contra o outro veículo.
Por conta do impacto, o ônibus e o caminhão pegaram fogo e poucas pessoas sobreviveram. Antônio e Itamar estavam entre os oito que conseguiram sair a tempo, antes das chamas consumirem o ônibus.
Para Agnaldo, a sobrevivência dos pais significou um milagre para sua família. “Quando soubemos, passamos um grande sufoco, porque não tinha informações na internet ainda sobre a identidade dos mortos. Mas quando vimos que os dois estavam vivos, era como se presenciássemos um grande milagre”, afirma o filho do casal.
Agnaldo também relembra que os pais contaram aos filhos como conseguiram sair do ônibus, que estava em chamas. “Meu pai e minha mãe estavam no banco da frente do ônibus. Com a batida, meu pai conseguiu sair pelo para-brisa, logo depois do motorista, que também se salvou. Então, ele ficou desesperado para poder salvar a minha mãe de lá. A minha mãe conta que desmaiou com o choque, depois acordou e a perna dela estava enroscada. Ela teve forças para conseguir sair e abraçou o meu pai, que estava na porta, rezando muito e gritava pedindo por ela”, recorda o filho do casal.
Complicações por coronavírus
Cinco anos após o acidente que poupou as vidas de Antônio e Itamar, a família Matos vive atualmente o sentimento de luto com o falecimento de Antônio, que já havia perdido um filho e um irmão pela mesma doença.
De acordo com Agnaldo, Antônio não havia se vacinado contra o coronavírus. “Muitas pessoas não acreditam nesse vírus. Eu perdi três pessoas da minha família em pouco tempo e nenhum deles tinha problemas de saúde. O que eu tenho a dizer é para as pessoas se cuidar, evitar aglomerações. A dor não é fácil. Eu quase perdi meu pai uma vez, e agora essa doença veio e levou ele”, finaliza Agnaldo.
O sepultamento de Antônio ocorreu em Paranacity, mesmo local onde estão enterrados os pais.
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