Profissionais das UBS de Umuarama recebem capacitação sobre diagnóstico, transmissão e acompanhamento de pacientes com HTLV-1 e HTLV-2 - Foto: Prefeitura de Umuarama
Médicos e enfermeiros que atendem nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) de Umuarama recebem capacitação para diagnosticar e acompanhar pacientes com HTLV-1 e HTLV-2. Os dois vírus infectam células do sistema imunológico e podem permanecer no organismo durante muitos anos sem provocar sintomas.
O treinamento ocorreu na tarde desta sexta-feira (23) e terá continuidade na próxima sexta-feira (30). As atividades são realizadas no anfiteatro da Secretaria Municipal de Saúde, com orientações do infectologista Ricardo Delfini Perci, do Ambulatório de Infectologia.
Durante os encontros, os profissionais recebem informações sobre as características das infecções, as formas de transmissão e os procedimentos para identificar possíveis casos. O objetivo é ampliar a capacidade de atendimento e orientar a população sobre os riscos associados aos vírus.
Entre os dois tipos, o HTLV-1 apresenta maior relevância clínica e está associado a doenças graves. Entre elas estão a leucemia e o linfoma de células T do adulto, tipos de câncer que afetam o sangue e o sistema linfático.
O vírus também pode causar paraparesia espástica tropical, conhecida como mielopatia associada ao HTLV. A doença neurológica afeta a medula espinhal e pode comprometer os movimentos das pernas. Além disso, a infecção pode estar relacionada a inflamações nos olhos e dermatites.
Já o HTLV-2 apresenta menor associação com doenças. Embora não tenha relação direta estabelecida com as mesmas condições graves atribuídas ao HTLV-1, alguns casos neurológicos e inflamatórios raros foram descritos em pessoas infectadas.
Os dois tipos de HTLV podem ser transmitidos por relações sexuais sem preservativo com uma pessoa infectada. O compartilhamento de agulhas e seringas e o contato com sangue contaminado também representam formas de transmissão.
Outra via ocorre da mãe para o bebê durante a amamentação. Por isso, identificar a infecção e orientar as pessoas afetadas são medidas importantes para reduzir o risco de transmissão.
A infecção pelo HTLV é crônica e pode permanecer sem manifestações clínicas por décadas ou durante toda a vida. Entretanto, a ausência de sintomas não significa que a pessoa não esteja infectada.
O diagnóstico é realizado por meio de exames de sangue e testes complementares, que ajudam a confirmar a infecção. Após a identificação do vírus, o acompanhamento médico permite avaliar a saúde do paciente e identificar possíveis doenças associadas.
Atualmente, não existe tratamento capaz de eliminar o HTLV do organismo. No entanto, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece acompanhamento e tratamento para as doenças relacionadas à infecção, quando elas se manifestam.
A capacitação busca preparar as equipes das UBS para reconhecer possíveis casos e orientar os pacientes sobre os cuidados necessários. A coordenadora do Ambulatório de Infectologia, Maria de Lourdes Gianini, destacou a importância da iniciativa.
“A capacitação leva mais conhecimentos aos profissionais para atender à população nas UBS, orientar sobre os riscos da infecção e diagnosticar possíveis casos, a fim de iniciar o acompanhamento o quanto antes”, explicou Maria de Lourdes.
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