Foto: Prefeitura de São Lourenço do Sul
O fenômeno climático El Niño pode atingir uma intensidade sem precedentes nas últimas quatro décadas, provocando ondas de calor, secas severas e inundações em diferentes partes do mundo. O alerta foi feito nesta quarta-feira (21) pela secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Celeste Saulo, durante a divulgação de novas informações sobre as mudanças climáticas.
Segundo a representante da agência meteorológica das Nações Unidas, o fenômeno pode superar os padrões observados nos últimos 40 anos e provocar alterações significativas na distribuição das chuvas e nas temperaturas.
Enquanto algumas regiões poderão enfrentar períodos prolongados de seca e calor intenso, outras estarão sujeitas a chuvas acima do normal e possíveis inundações.
O El Niño é um fenômeno natural caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa mudança interfere na circulação atmosférica e pode alterar o comportamento do clima em diferentes continentes.
No Brasil, o fenômeno costuma favorecer o aumento das chuvas na Região Sul e condições mais secas em partes das regiões Norte e Nordeste. No Paraná, os efeitos podem incluir períodos de precipitação acima da média, embora a intensidade varie conforme as condições atmosféricas.
A OMM, entretanto, não apresentou no comunicado citado uma previsão específica dos impactos do fenômeno em Umuarama ou no Noroeste do Paraná.
Além do possível fortalecimento do El Niño, um novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), divulgado nesta quarta-feira, aponta que o aquecimento global poderá ser mais intenso do que indicavam as projeções anteriores.
Mesmo no cenário mais otimista considerado pelo estudo, a temperatura média do planeta poderá atingir entre 1,7°C e 1,8°C acima dos níveis pré-industriais até meados deste século.
O relatório também indica que, caso as políticas climáticas atuais sejam mantidas, o aquecimento global poderá chegar a 2,8°C até 2100.
Se todos os compromissos climáticos já anunciados pelos países forem integralmente cumpridos, a projeção cai para 2,6°C. Ainda assim, o resultado permanece acima das metas internacionais estabelecidas para conter as mudanças climáticas.
As novas estimativas são superiores às apresentadas no ano passado. Entre os fatores apontados estão a saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris e a revisão dos dados históricos de emissões de gases de efeito estufa.
Para limitar os efeitos das mudanças climáticas, o relatório da ONU aponta a necessidade de reduções expressivas nas emissões de gases responsáveis pelo aquecimento do planeta.
Segundo o Pnuma, seria necessário reduzir as emissões globais em 18% até 2030, 45% até 2035 e 69% até 2040, sempre em comparação aos níveis registrados em 2025.
Entretanto, os planos apresentados atualmente pelos países estão distantes dessas metas.
As medidas existentes permitiriam reduções estimadas de apenas 5% a 8% até 2030 e de 11% a 15% até 2035.
Apesar do crescimento das fontes renováveis de energia e da adoção de políticas ambientais em diferentes países, a ONU considera que os esforços ainda são insuficientes para conter o avanço do aquecimento global.
O Acordo de Paris, firmado em 2015, estabeleceu o compromisso internacional de manter o aumento da temperatura média global bem abaixo de 2°C, com esforços para limitá-lo a 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais.
No entanto, segundo o novo relatório, evitar completamente a ultrapassagem de 1,5°C já não é considerado viável nas condições atuais.
A alternativa apresentada pelo Pnuma é reduzir ao máximo a intensidade e a duração dessa ultrapassagem, buscando fazer com que as temperaturas retornem ao limite de 1,5°C até o final do século.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, defendeu a continuidade dos esforços internacionais para reduzir as emissões.
“Ultrapassar a meta não significa desistir. Ainda podemos manter esse aumento o menor e mais curto possível”, afirmou.
O relatório ressalta, porém, que o retorno das temperaturas ao limite dependeria de tecnologias capazes de remover grandes quantidades de carbono da atmosfera, cuja aplicação em larga escala ainda apresenta incertezas.
As conclusões foram divulgadas às vésperas da COP31, conferência climática da ONU que será realizada na Turquia e reunirá representantes de diversos países para discutir novas medidas de enfrentamento às mudanças climáticas.
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