Dono de sucessos como “Retalhos de Cetim” e “Charlie Brown”, ele aproximou gerações com seu estilo musical (Foto: Murilo Alvesso/Divulgação)
A combinação entre samba, romantismo e piano fez de Benito Di Paula um dos artistas mais populares do Brasil nos anos 1970. O cantor e compositor morreu na noite deste domingo (18), aos 84 anos, em São Paulo, após complicações de um câncer. Ele estava internado no Hospital 9 de Julho.
A trajetória de Benito foi marcada por uma sonoridade particular. Enquanto o piano ocupava o centro de suas apresentações, o artista explorava ritmos e batidas que remetiam à percussão do samba. A escolha ajudou a construir uma identidade musical que alcançou grandes públicos, apesar das ressalvas de parte da crítica.
Nascido Uday Veloso, em 28 de novembro de 1941, em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, Benito cresceu na capital fluminense. Por volta de 1968, passou a adotar o nome artístico que o acompanharia ao longo da carreira.
O músico não buscava se enquadrar na mesma tradição de Martinho da Vila ou Paulinho da Viola. Para definir sua maneira de tocar e compor, recorria a duas expressões próprias, “sambeiro” e “pianeiro”.
Sua estética também fugia dos padrões valorizados por parte dos críticos da época. O repertório romântico, o bigode e os cabelos compridos alimentaram a classificação de cafona, mas não afastaram o público. Pelo contrário, Benito acumulou sucessos e vendeu milhares de discos.
Entre as músicas que consolidaram seu nome está “Retalhos de Cetim”. Lançada em compacto em 1972, a canção alcançou grande repercussão no ano seguinte e superou a marca de 150 mil cópias vendidas.
O repertório de Benito também ganhou projeção com “Violão Não Se Empresta a Ninguém”, presente em um disco de 1971. Depois, vieram “Se Não For Amor”, de 1974, “Charlie Brown” e “Beleza Que É Você Mulher”, de 1975, além de “Vai Ficar na Saudade”, lançada em 1976.
O sucesso de “Charlie Brown” chegou a chamar a atenção de Chico Buarque, que se referiu ao personagem da música como se ele existisse na vida real.
A obra de Benito continuou a circular entre públicos de diferentes gerações. Em 2003, o cantor gravou “Do Jeito Que a Vida Quer” com o grupo Revelação, em uma parceria que levou a música às rádios de pagode.
A gravação apresentou o artista a ouvintes que não haviam acompanhado o auge de sua carreira nos anos 1970 e reforçou a presença de suas composições em outros segmentos do samba.
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