Prefeitura de Xambrê informou a realização de auditoria interna na Secretaria Municipal de Saúde após questionamentos sobre gastos da pasta (Foto Danilo Martins/OBemdito)
A Prefeitura de Xambrê confirmou a realização de uma auditoria interna na Secretaria Municipal de Saúde e informou que passou a planejar medidas administrativas após receber as conclusões da Controladoria Interna. Entre as medidas previstas estava a exoneração da então secretária da pasta, Fernanda Pereira Custódio, que apresentou o próprio pedido de desligamento antes da formalização da decisão.
A informação consta em nota oficial divulgada pelo Executivo municipal. O documento afirma que a auditoria foi autorizada em meio a questionamentos sobre gastos da Secretaria de Saúde e teve como objetivo analisar procedimentos, despesas e outros aspectos administrativos e financeiros.
Além de Fernanda, outros três servidores comissionados deixaram os cargos. As portarias municipais nº 111, 112 e 114, publicadas em 7 de outubro de 2026, registram as exonerações de Rafael Barbosa da Silva, diretor do Pronto Atendimento; Ângela Gomes Bocchi, coordenadora dos agentes de Endemias; e Paulo dos Santos Aires, chefe de Vigilância Sanitária.
Em nota encaminhada à imprensa nesta sexta-feira (9), as advogadas Bruna Scremin e Jaqueline Vilela, que representam os quatro ex-integrantes da Secretaria de Saúde, afirmaram que os pedidos de exoneração foram decisões individuais e voluntárias, sem relação com a auditoria interna.
O documento informa que o procedimento foi iniciado em 14 de setembro e teve o relatório apresentado em 28 de setembro. As advogadas também questionam a abrangência e a condução do trabalho, afirmando que a análise não contemplou todos os setores da secretaria e ocorreu sem a participação de todos os profissionais responsáveis pelas áreas.
Segundo a nota da defesa, o relatório final não apontou a ocorrência efetiva de irregularidades, mas identificou situações que, na avaliação dos responsáveis pela auditoria, exigiriam apuração e esclarecimentos adicionais.
As advogadas ressaltam que eventuais apontamentos preliminares não devem ser tratados como comprovação de irregularidades nem servir, por si só, para atribuir responsabilidades aos profissionais. Elas afirmam ainda que os ex-gestores estão à disposição dos órgãos competentes para prestar esclarecimentos e colaborar com eventuais procedimentos, com garantia do direito à ampla defesa e ao contraditório.
Na nota oficial, a Prefeitura não apresentou o conteúdo do relatório da Controladoria Interna nem especificou quais situações foram identificadas durante a auditoria. O Executivo também não detalhou os motivos dos pedidos de exoneração dos outros três servidores.
Os documentos disponíveis, portanto, confirmam a realização da auditoria e as exonerações, mas não permitem concluir que houve desvio de recursos ou outras irregularidades na Secretaria de Saúde. As alegações da Prefeitura e os esclarecimentos apresentados pelas advogadas representam as posições das partes sobre o caso.
A administração municipal afirmou que permanece à disposição dos órgãos de controle e da população para prestar esclarecimentos. Já a defesa pediu que as informações sejam divulgadas com cautela, sem conclusões antecipadas ou associações indevidas entre a auditoria e os desligamentos.
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