Cotidiano

Gaeco apreende drogas e celulares em operação contra chefias da Polícia Penal em Umuarama

O Gaeco de Umuarama apreendeu drogas e cerca de 34 celulares durante a Operação Clientela, deflagrada na manhã desta quarta-feira (30). A ação investiga dois policiais penais que ocupam funções de chefia na região.

A operação é realizada pelo Núcleo de Umuarama do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MPPR). A Corregedoria da Polícia Penal do Paraná também participa das diligências.

Os dois investigados exercem funções de chefia na estrutura regional da Polícia Penal. Um atua na coordenação regional da instituição e o outro ocupa a gestão da cadeia pública.

A Justiça determinou o afastamento dos dois servidores de suas funções. Os nomes dos investigados não foram divulgados pelas autoridades.

Investigação apura possíveis regalias a presos

Segundo o promotor Guilherme Franchi, coordenador do Gaeco em Umuarama, a investigação apura possíveis crimes cometidos pelos servidores. Entre as suspeitas está o favorecimento indevido de presos.

Uma das situações investigadas envolve a disponibilização de ar-condicionado para presos que trabalhavam na unidade. Esses detentos também atuavam em um canteiro externo no pátio da Prefeitura.

O Gaeco também investiga o uso de celulares dentro do ambiente prisional. Outra frente apura possíveis falhas na formalização de apreensões de aparelhos e drogas.

De acordo com o promotor, as diligências buscam documentos, celulares, drogas e anotações. O material será submetido a perícia antes da conclusão da investigação.

“Nessa etapa da investigação, não há nenhuma prova ou elemento de prova do recebimento de valores por esses servidores”, afirmou Franchi.

Segundo o promotor, a operação também busca verificar se houve eventual pagamento de propina para conceder as regalias investigadas.

Drogas e celulares são encontrados

Durante as diligências na cadeia pública, equipes encontraram drogas no armário de um dos servidores. Os investigadores também localizaram aproximadamente 33 ou 34 celulares sem documentação correspondente.

“Na cadeia pública, o local em que eu e outras equipes do GAECO e da Corregedoria da Polícia Penal estamos ainda, foram localizadas drogas no armário de um dos servidores e aproximadamente 33 celulares, 34 celulares, estamos contabilizando ainda, sem a devida documentação”, afirmou Franchi.

Segundo o promotor, as drogas estavam acondicionadas em uma bolsa. O material reunia porções de diferentes tamanhos e quantidades.

Franchi afirmou que os investigadores ainda avaliariam a necessidade de prisão em flagrante. Até o momento da coletiva, não havia decisão da autoridade competente sobre a medida.

“Essas drogas, elas estavam acondicionadas numa bolsa, né… As imagens das apreensões serão disponibilizadas à imprensa”, afirmou o promotor.

Também houve apreensão de um aparelho celular no complexo social. Segundo o promotor Caio di Rienzo, o equipamento reforça elementos já reunidos pela investigação.

Seis possíveis crimes são apurados

A investigação apura possíveis práticas de prevaricação, favorecimento indevido de presos e facilitação da entrada de celulares em ambiente prisional. Também estão sob análise suspeitas de falsidade ideológica, fraude processual e corrupção passiva.

Caio di Rienzo explicou que os materiais recolhidos serão analisados pelos investigadores. A perícia deverá permitir novos avanços na apuração dos fatos.

“Há, em tese, crimes praticados como prevaricação, corrupção passiva, falsidade ideológica, facilitação de aparelho celular em estabelecimento prisional”, afirmou.

O promotor ressaltou que a investigação ainda está em andamento. Por isso, os servidores não são formalmente acusados dos crimes neste momento.

“Nós estamos trabalhando com uma hipótese de investigação, não os servidores não são formalmente acusados de nenhum crime, eles são investigados”, disse Guilherme Franchi.

Polícia Penal acompanha investigação

O corregedor-geral da Polícia Penal, David Duarte, afirmou que a instituição acompanha as diligências realizadas pelo Gaeco. A Corregedoria também poderá conduzir eventual apuração administrativa.

Segundo Duarte, a investigação criminal compete ao Ministério Público. Já a Corregedoria atua na esfera administrativa, respeitando o devido processo legal.

Caso sejam atribuídas responsabilidades aos servidores, uma comissão poderá ser constituída para apurar as condutas. O procedimento deverá assegurar contraditório e ampla defesa.

“A Polícia Penal reafirma aqui, atua em conjunto e integrado com as demais forças de segurança, os órgãos fiscalizadores para apurar e não permitir que essas irregularidades ocorram nas suas unidades penais”, afirmou.

Investigação segue em sigilo

Questionado sobre o que os servidores receberiam em troca das possíveis regalias, Franchi afirmou que a informação ainda está protegida pelo sigilo da investigação.

“​​Ainda a investigação, nesse ponto, está em sigilo e as diligências estão em andamento, então nesse momento não é possível adiantar esse tipo de informação”, respondeu.

O promotor também afirmou que a eventual responsabilização de presos beneficiados pelas condutas será analisada durante o avanço das investigações.

Segundo ele, os vínculos entre os servidores investigados e os presos também fazem parte das diligências. A análise dos materiais apreendidos poderá esclarecer essa dinâmica.

Dois servidores são investigados

Até o momento, a investigação envolve dois policiais penais. Ambos exercem funções de chefia na estrutura regional da Polícia Penal.

A operação cumpriu quatro mandados de busca e apreensão, dois mandados de busca pessoal e dois mandados de afastamento das funções. As ordens foram expedidas pelo Juízo das Garantias da 1ª Vara Criminal da comarca de Umuarama.

Os materiais apreendidos serão periciados e analisados pelo Gaeco. A partir dos resultados, os investigadores poderão definir os próximos passos do procedimento.

Os dois servidores permanecem afastados das funções por determinação judicial. A Polícia Penal também informou que adotará as medidas administrativas cabíveis durante a apuração.

Fotos: Gaeco

Alex Nascimento

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