Graça Milanez

Padaria de bairro: Das vendas na calçada ao negócio próprio, padeiro realiza seu sonho

As padarias de bairro de Umuarama parecem ter encontrado a receita para conquistar cada vez mais espaço na rotina dos moradores. São muitas, espalhadas pela cidade, cada uma com seu jeito de fazer, seus produtos mais procurados e uma clientela fiel.

Entre elas está a Padaria Talismã, no Panorama, que nasceu de forma tão simples quanto o pão que continua sendo seu maior sucesso: sobre uma mesa de plástico, na calçada da casa da mãe do padeiro Clerison Martinussi.

Antes de ter sua padaria, Clerison colocava ali os pães caseiros que fazia e, ao lado, um cartaz escrito à mão anunciava o preço. Era assim, na simplicidade, que o padeiro de 45 anos começava a transformar o conhecimento adquirido na profissão em um negócio próprio.

“Muitos que passavam, de carro ou a pé, paravam para comprar. Aos poucos, fui conquistando meus clientes, e muitos deles continuam comigo até hoje”, orgulha-se Clerison.

Pão caseiro é o preferido na Padaria Talismã

Em 2018, o que começou de forma improvisada ganhou um novo passo. Clerison passou a reinvestir o dinheiro das vendas na construção do espaço onde pretendia instalar sua padaria. No quintal da casa da mãe, ergueu um salão de 80 metros quadrados e comprou os equipamentos necessários para ampliar a produção.

O pão caseiro que deu início à história continua sendo o produto mais vendido da Talismã. São cerca de 900 unidades por mês, enquanto a produção de pão francês chega a aproximadamente 400 por dia.

O cardápio inclui outros produtos de panificação, mas mantém a proposta que marcou o início do negócio: alimentos simples, feitos para uma clientela formada, em sua maioria, por famílias do Panorama.

Um padeiro que também formou profissionais

A relação de Clerison com a panificação começou bem antes do negócio próprio. Em 2003, conseguiu o primeiro emprego em uma padaria de supermercado. Foi ali que aprendeu o ofício e adquiriu a experiência que, mais tarde, compartilharia com outras pessoas.

Entre 2005 e 2012, trabalhou como padeiro do Provopar (Programa do Voluntariado Paranaense). Além de produzir pães destinados às creches e escolas públicas de Umuarama, ministrava cursos de panificação para jovens de baixa renda que buscavam aprender uma profissão.

Ao todo, Clerison calcula ter formado cerca de 600 alunos. Alguns seguiram carreira na área, empreendendo ou trabalhando em padarias de Umuarama e região.

“Eu gostava muito de ensinar. Muitos alunos saíram de lá e conseguiram boa colocação no mercado de trabalho, outros abriram padaria. Isso deixa a gente muito feliz.”

O trabalho também ajudava a abrir portas para o primeiro emprego. Donos de padarias procuravam o Provopar em busca de profissionais formados nos cursos ministrados por Clerison.

O caminho até a Padaria Talismã

Em 2013, Clerison decidiu empreender. Deixou o Provopar e abriu sua primeira padaria, no Jardim Ouro Branco, de Umuarama. O negócio funcionou por três anos, até ser vendido.

Depois, trabalhou em uma empresa que embalava farinha de trigo, onde era responsável pela classificação do produto. E em 2017 voltou a trabalhar como padeiro em supermercado, mas percebeu que aquele não era mais o caminho que queria seguir.

Foi quando decidiu buscar uma alternativa que pudesse desenvolver em casa: voltou à cozinha e passou a produzir pão caseiro e cuca para vender.

A clientela cresceu e, com ela, a possibilidade de transformar novamente sua experiência em panificação em um negócio próprio. “A Talismã foi uma bênção para mim. Em pouco tempo consegui comprar uma casa e um carro”, conta Clerison.

Hoje, além das vendas diárias, a padaria também atende encomendas maiores, inclusive para igrejas. Em períodos de acampamento, por exemplo, ele chega a vender cerca de 500 pães de uma vez.

Mais dez anos de madrugada

A conquista, no entanto, exige uma rotina pesada. Clerison começa a trabalhar de madrugada e segue até o entardecer. São mais de 12 horas por dia entre preparo, produção, atendimento e encomendas.

Ele sabe que a atividade é desgastante e, por isso, já estabeleceu um prazo para continuar nesse ritmo. Pretende trabalhar assim por mais dez anos. Depois, quer diminuir o ritmo.

“Esse trabalho esgota a gente, mas é o que eu gosto de fazer”, afirma. E, com bom humor, completa: “Não quero, na velhice, acordar de madrugada para fazer pão”.

Por enquanto, porém, Clerison segue acordando antes do dia clarear. É quando começa a produção da Padaria Talismã, um negócio que nasceu na calçada, cresceu no quintal da casa da mãe e hoje representa a realização de um sonho construído, literalmente, pão a pão.

== Para fazer encomenda: whatsapp 44 9 9704-2885

== Acompanhe a série ‘Padarias de Bairro’ d’OBemdito clicando aqui.

Graça Milanez

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