A prisão de quatro integrantes da família Buscariollo, realizada nesta terça-feira (18), representa um avanço importante na investigação do quádruplo homicídio ocorrido em Icaraíma, em agosto de 2025. Mas, para a Polícia Civil do Paraná (PCPR), o caso ainda não está encerrado.
Durante coletiva realizada na manhã desta terça-feira, o delegado adjunto da 7ª Subdivisão Policial de Umuarama, Leonardo Rodrigues Martinez, afirmou que a investigação continuará para esclarecer a participação de outras pessoas no crime, tanto de forma direta quanto indireta. “A Polícia Civil vai continuar a investigação para identificar os demais envolvidos. A investigação continua para apurar os demais envolvidos”, afirmou Martinez.
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Segundo o delegado, a polícia já conseguiu reunir elementos suficientes para individualizar condutas relacionadas ao núcleo familiar dos Buscariollo e obter as ordens de prisão. No entanto, a análise do material reunido ao longo de um ano ainda não foi concluída. “A fase de análise de dados ainda não chegou ao seu fim, mas está caminhando para isso”, explicou.
Um dos principais desafios da investigação foi a quantidade de informações reunidas ao longo das diligências. De acordo com Martinez, a Polícia Civil precisou analisar uma grande massa de arquivos digitais, que chegou a vários terabytes de dados.
O trabalho envolveu profissionais especializados e diferentes equipes da instituição. Entre elas está o Núcleo de Investigação Qualificada (NIQ), criado recentemente no Departamento da Polícia Civil do Interior e sediado em Pato Branco.
O núcleo teve participação direta na etapa que levou à localização de parte dos investigados. “Esse núcleo é sediado em Pato Branco e eles vêm nos auxiliando de sobremaneira”, afirmou Martinez durante a coletiva.
A equipe especializada trabalhou na análise das informações coletadas durante a investigação. Foi a partir desse trabalho que a polícia recebeu, recentemente, dados indicando que Antônio e Paulo Buscariollo estariam escondidos em um sítio na região de Rio das Pedras, no interior de São Paulo.
Após receber a informação sobre o possível paradeiro dos dois investigados, o Núcleo de Investigação Qualificada atuou em conjunto com equipes especializadas do Grupo Tigre.
Os policiais realizaram levantamentos no local e confirmaram a informação antes do cumprimento das medidas judiciais.
Com os elementos reunidos, a Polícia Civil conseguiu mandados de busca e apreensão e, posteriormente, as ordens de prisão. Antônio e Paulo foram localizados em uma propriedade rural e tentaram fugir por uma área de mata, mas acabaram capturados.
Carlos Henrique Buscariollo também foi localizado em Santa Bárbara d’Oeste (SP) e preso. Carlos Eduardo Buscariollo já estava detido em um presídio de São Bernardo do Campo por outro processo, relacionado ao tráfico de drogas, e teve a ordem de prisão referente à investigação de Icaraíma cumprida.
A prisão dos quatro investigados não significa, segundo a PCPR, que todas as responsabilidades pelo crime já estejam definidas.
Martinez explicou que a Polícia Civil ainda trabalha para estabelecer de maneira completa a participação de cada envolvido. A divulgação detalhada das condutas deverá ocorrer em momento posterior, inclusive em respeito ao direito de defesa dos investigados.
“A Polícia Civil tem conhecimento e dados suficientes para tanto”, disse o delegado, acrescentando que a individualização das condutas será apresentada de forma mais detalhada quando a investigação estiver concluída.
A prisão temporária também deverá permitir que novas testemunhas sejam ouvidas. Segundo Martinez, algumas pessoas que podem ter informações sobre o crime ainda não haviam procurado a polícia por medo de represálias.
“Tem pessoas ali que podem ter conhecimento, terem presenciado, saber de informações que podem sedimentar essas individualizações de conduta”, afirmou.
A expectativa da polícia também é de que os próprios presos possam contribuir para esclarecer detalhes que ainda permanecem sob investigação.
O delegado responsável pela investigação, Thiago Teixeira, lembrou durante a coletiva que, no início do caso, a Polícia Civil tinha apenas o desaparecimento dos quatro homens como ponto de partida.
Não havia cena do crime identificada, veículo das vítimas, local dos corpos ou suspeitos definidos.
A investigação avançou gradualmente. Em 22 de agosto de 2025, os policiais localizaram o possível local de execução. Em 12 de setembro, a Polícia Militar Ambiental encontrou a Fiat Toro utilizada pelas vítimas. Seis dias depois, em 18 de setembro, os corpos foram localizados.
A partir daí, começou uma segunda etapa, marcada pela análise dos dados reunidos pelas diferentes forças de segurança.
Mais de cem laudos periciais foram produzidos pela Polícia Científica, além de trabalhos de equipes da Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Ambiental, Polícia Penal, Corpo de Bombeiros e outros órgãos.
Martinez também relatou que a investigação enfrentou dificuldades provocadas pela divulgação antecipada de informações que deveriam permanecer sob sigilo.
Segundo ele, a exposição de elementos do inquérito acabou contribuindo para que investigados mudassem de endereço e conseguissem escapar de ações policiais.
“Isso vinha contribuir para essa antecipação de movimentação das polícias e contribuindo ali para que esses autores sempre conseguissem se evadir”, afirmou.
Por isso, ao longo dos meses, a Polícia Civil restringiu progressivamente a divulgação de informações consideradas sensíveis.
O delegado ressaltou que a preocupação da instituição não era simplesmente apresentar uma resposta rápida à sociedade, mas reunir provas suficientes para uma responsabilização criminal efetiva.
“Não fosse só atendido um reclame midiático ou uma demanda imediata de prisão, captura de pessoas, mas de uma responsabilização criminal efetiva”, declarou.
Mesmo com as quatro prisões realizadas nesta terça-feira, a PCPR mantém outras linhas de investigação.
Martinez afirmou que há elementos que indicam a possibilidade de participação de outras pessoas no crime. Ele também destacou que a análise dos diferentes calibres utilizados na execução integra o conjunto de informações considerado pela investigação.
“Com certeza teve outros envolvidos”, afirmou o delegado.
Ele ponderou, porém, que a autoria não deve ser entendida apenas como a presença física no local do crime. Para a investigação, também pode ser considerado autor aquele que tenha determinado a execução.
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“A Polícia Civil vai todos os dias, assim como é até hoje, trabalhar exaustivamente para responsabilização, identificação e responsabilização desses envolvidos”, afirmou.
A investigação segue dentro do prazo legal relacionado às prisões temporárias. A Polícia Civil pretende ouvir testemunhas e interrogar novamente os presos antes da conclusão do inquérito, que posteriormente deverá ser encaminhado ao Ministério Público para análise.
As quatro vítimas, Alencar Gonçalves de Souza, Diego Henrique Affonso, Rafael Juliano Mariscalchi e Robishley Hirnani de Oliveira, foram mortas em agosto de 2025.
A investigação aponta que Alencar havia contratado os três homens vindos de São Paulo para realizar uma cobrança de dívida. Eles chegaram a Icaraíma em 4 de agosto e foram mortos no dia seguinte.
Após um ano de diligências, a prisão dos quatro investigados representa uma nova etapa do caso. Para a Polícia Civil, porém, o trabalho continua até que sejam esclarecidas as demais participações e reunidos os elementos necessários para a responsabilização de todos os envolvidos.
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