Foto: Danilo Martins/OBemdito
Mais um dos cinco policiais militares presos durante a Operação Aliança, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) em Umuarama e região, obteve a liberdade. A Justiça Militar do Paraná revogou a prisão preventiva de Everton de Oliveira Souza, investigado no âmbito da operação.
A informação foi repassada ao OBemdito na noite desta quinta-feira (13) pela advogada Keity Accadrolli, responsável pela defesa do policial. A decisão que revogou a prisão foi proferida na quarta-feira (12) pela Vara da Auditoria da Justiça Militar Estadual de Curitiba.
Com a soltura de Everton, quatro dos cinco policiais militares presos preventivamente durante a Operação Aliança já deixaram a prisão. Dois deles já haviam obtido alvarás de soltura anteriormente, enquanto outro deixou a prisão por questões médicas. Dessa forma, apenas um dos investigados permanece preso.
Segundo informações fornecidas pela defesa, a revogação da prisão preventiva ocorreu após a Justiça analisar as provas produzidas durante a instrução processual e considerar que não havia elementos concretos e contemporâneos suficientes para justificar a continuidade da medida cautelar.
Um dos pontos considerados na decisão foi o depoimento prestado em juízo pelo policial federal André de Oliveira Siqueira durante audiência de instrução.
Conforme o resumo da decisão encaminhado pela defesa ao OBemdito, a magistrada entendeu que o depoimento não apresentou elementos capazes de corroborar, de maneira precisa e objetiva, a ligação de Everton com integrantes da organização criminosa investigada.
A decisão, entretanto, não descarta os indícios reunidos durante a investigação. Esses elementos permanecem no processo e ainda deverão ser analisados no decorrer da ação.
Segundo a defesa, a Justiça considerou que a prova produzida sob o contraditório reduziu substancialmente a necessidade cautelar que havia fundamentado inicialmente a prisão do policial.
Outro aspecto levado em consideração foi a ausência de demonstração de um perigo atual, concreto e individualizado decorrente da liberdade de Everton. A magistrada considerou que a prisão preventiva, por ser uma medida excepcional, não poderia ser mantida somente com base na repetição dos fundamentos utilizados quando a custódia foi decretada.
Diante desse cenário, o Juízo apontou o “esvaziamento da densidade cautelar necessária à subsistência da prisão preventiva” e determinou a expedição do alvará de soltura.
A revogação da prisão não representa absolvição nem o encerramento do processo. Everton continua sendo investigado no âmbito da Operação Aliança, e os elementos reunidos no caso ainda serão analisados pela Justiça.
A Operação Aliança foi deflagrada pelo Gaeco em 25 de junho e investiga a suposta participação de policiais militares em um esquema de contrabando e descaminho com atuação em Umuarama e municípios da região.
Na ocasião, foram cumpridos cinco mandados de prisão preventiva contra Tiago Franceschetti Bellio, Dário Fernando Corrêa, Everton de Oliveira Souza, Geneci da Silva Lage e Clemente Galvão de Almeida. Também foram executadas ordens de busca e apreensão, busca pessoal e afastamento das funções.
Segundo o Gaeco, os investigados são suspeitos de prestar suporte à entrada irregular de mercadorias no país, principalmente celulares e cigarros eletrônicos. A investigação aponta diferentes formas de participação no suposto esquema, como transporte de cargas, atuação como “batedores”, apoio logístico e repasse de informações consideradas sensíveis.
Em julho, OBemdito confirmou que Tiago Franceschetti Bellio e Dário Fernando Corrêa haviam deixado a prisão após a obtenção de alvarás de soltura. Posteriormente, outro dos cinco investigados também deixou a prisão por questões médicas.
Com a decisão favorável a Everton, quatro estão atualmente em liberdade e somente um dos cinco PMs presos na Operação Aliança permanece detido. O processo continua em andamento.
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