Modelo tridimensional divulgado pela agência espacial mostra as variações da gravidade (Foto Fonte Nasa)
Ao contrário do que muita gente imagina, a Terra não é uma esfera perfeita. Embora tenha formato praticamente arredondado, o planeta apresenta pequenas deformações provocadas pela rotação e pela distribuição desigual de massa em sua estrutura interna.
Essas irregularidades, invisíveis a olho nu, foram representadas em um modelo tridimensional divulgado pela Nasa. A imagem chamou a atenção nas redes sociais por mostrar uma Terra cheia de ondulações, mas a representação não retrata montanhas, vales ou oceanos. Na verdade, ela ilustra as variações da gravidade em diferentes pontos do planeta.
A força gravitacional não atua da mesma maneira em todos os lugares. Regiões com grandes cadeias montanhosas, fossas oceânicas e diferenças na composição da crosta terrestre exercem uma influência ligeiramente distinta sobre os objetos.
Além disso, fenômenos que ocorrem nas camadas profundas da Terra também contribuem para essas variações. Apesar disso, as diferenças são mínimas e imperceptíveis para quem observa o planeta do espaço.
Para desenvolver a representação, cientistas recorreram a satélites equipados com sensores de alta precisão. Enquanto orbitam a Terra, esses equipamentos registram alterações quase imperceptíveis na intensidade da gravidade.
Com a análise de bilhões de dados, os pesquisadores conseguem construir o chamado geoide, uma superfície teórica que indica como seria o nível médio dos oceanos se a água fosse influenciada exclusivamente pela gravidade, sem a interferência de marés, correntes marítimas ou ventos.
Embora as imagens pareçam mostrar deformações gigantescas, a realidade é bem diferente. Em comparação com o tamanho da Terra, que possui aproximadamente 12,7 mil quilômetros de diâmetro, as diferenças representam apenas alguns metros.
Para tornar essas variações visíveis, os cientistas ampliaram as distorções milhares de vezes.
O estudo do geoide tem aplicações importantes em diversas áreas. As informações obtidas ajudam a aperfeiçoar sistemas de navegação por satélite, permitem medições mais precisas do nível do mar e auxiliam no monitoramento das mudanças climáticas e do derretimento das geleiras.
Além disso, os dados contribuem para ampliar o conhecimento sobre a composição e o funcionamento das camadas internas do planeta.
A representação divulgada pela Nasa, portanto, não altera o entendimento científico sobre a forma da Terra. O modelo apenas oferece uma nova perspectiva sobre um fenômeno invisível, mostrando como a gravidade se distribui ao redor do planeta.
(Com informações da Folha Press)
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