Obras na Ponte Ayrton Senna fazem motoristas voltarem a utilizar a balsa entre Guaíra e Salto del Guairá. Veja horários, preços, rota e duração da travessia - Foto: Google/Maps
As obras de restauração da Ponte Ayrton Senna, entre Guaíra, no Paraná, e Mundo Novo, no Mato Grosso do Sul, trouxeram de volta uma imagem que parecia pertencer apenas à memória de muitos moradores e turistas. A antiga travessia de balsa para Salto del Guairá, no Paraguai, voltou a ser alternativa para quem deseja evitar as filas provocadas pelas intervenções na ponte.
Durante muitos anos, antes da construção da ponte, a balsa era o caminho obrigatório para cruzar o Rio Paraná. O embarque fazia parte da viagem e marcava o início das compras no Paraguai.
Com a inauguração da ponte, esse percurso ficou praticamente restrito aos caminhões. Agora, diante das obras iniciadas em 13 de julho, a travessia volta a receber um número maior de pessoas e revive lembranças de uma época em que o rio ditava o ritmo da viagem.
Desde o início dos serviços, o trânsito na Ponte Ayrton Senna opera em sistema Pare e Siga. O fluxo segue alternado em apenas uma pista, o que tem provocado espera de aproximadamente 30 minutos para a travessia. Diante desse cenário, muitos motoristas passaram a buscar rotas alternativas para chegar ao comércio paraguaio.
As intervenções ocorrem de segunda a quinta-feira, das 8h às 17h. Segundo a programação, o cronograma foi planejado para reduzir os impactos na mobilidade e oferecer maior previsibilidade aos usuários durante a execução dos trabalhos. A conclusão das obras está prevista para 16 de outubro, após cerca de 100 dias de serviços.
Entre as alternativas disponíveis, a balsa internacional voltou a ganhar destaque. O serviço liga Guaíra a Salto del Guairá e oferece uma travessia que muitos conhecem de muito tempo antes da existência da Ponte Ayrton Senna.
O embarque acontece no Porto Internacional de Guaíra. Para chegar ao local, o motorista deve seguir pela BR-272 até a Universidade Paranaense (Unipar). Depois, o trajeto continua pela Avenida Barão do Rio Branco, passa em frente à 15ª Companhia de Infantaria Motorizada e segue pela Rua Bandeirantes até o acesso ao porto, próximo ao Centro Náutico Marinas.
Atualmente, duas balsas realizam o transporte de veículos e passageiros. As saídas acontecem a cada 30 minutos, de segunda a sexta-feira, entre 8h e 17h. A travessia dura, em média, entre 35 e 40 minutos. Além disso, a Receita Federal mantém fiscalização no lado brasileiro.
Mais do que uma alternativa para escapar das filas, a travessia também desperta um sentimento de nostalgia. O percurso passa pela região onde ficavam as históricas Sete Quedas, um dos maiores conjuntos de cachoeiras do mundo, submerso após a formação do reservatório da Usina de Itaipu.
Para muitos viajantes, voltar a cruzar o Rio Paraná pela água significa reviver uma experiência comum antes da construção da ponte. O trajeto, antes uma necessidade, hoje também se transforma em um passeio que resgata parte da história da região.
Os preços variam conforme o tipo de veículo e pedestres pagam R$ 10. Motocicletas têm tarifa de R$ 15. Carros e ônibus pagam R$ 50, mesmo valor cobrado para caminhões toco. Motoristas de caminhões trucados pagam R$ 70, enquanto condutores de carretas desembolsam R$ 150 pela travessia.
A operação da balsa internacional é uma concessão pública. O transporte de veículos e passageiros é realizado pela empresa F. Andreis, autorizada pelos órgãos competentes.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF) confirmou a OBemdito a formação de filas na Ponte Ayrton Senna durante as obras. No entanto, divulgou que não houve aumento significativo no fluxo de veículos, já que muitos motoristas passaram a buscar rotas alternativas.
A Guarda Municipal de Guaíra também informou que o trânsito na cidade segue organizado. Segundo a guarda municipal Luana, o fluxo de veículos até diminuiu devido à procura por outros caminhos em direção ao Mato Grosso do Sul e ao Paraguai.
Ela destacou ainda que existem períodos sem filas na ponte. Entre 7h e 7h30 da manhã e após as 17h, quando os trabalhos são encerrados, o tráfego costuma fluir normalmente.
Enquanto as obras avançam, o município orienta os motoristas a respeitarem a sinalização temporária e planejarem os deslocamentos com antecedência. Assim, além de evitar congestionamentos, muitos acabam reencontrando um percurso que marcou gerações e que, por alguns meses, voltou a fazer parte da viagem até o Paraguai.
Embora a ponte tenha transformado a mobilidade entre Paraná, Mato Grosso do Sul e Paraguai, a balsa nunca deixou de operar. Com as obras, ela volta ao centro das atenções e resgata lembranças de uma época em que a travessia pelo Rio Paraná era a única opção. Para muitos, o percurso representa um reencontro com a história da fronteira e com memórias que permaneciam guardadas há décadas.
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