Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Itens importantes da pauta de exportações brasileiras, como café, carne bovina, produtos de aviação civil e petróleo, ficaram de fora do novo pacote tarifário anunciado pelos Estados Unidos contra o Brasil. A decisão foi divulgada nesta quarta-feira (15) pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR).
A nova medida prevê uma sobretaxa de 25% sobre diversos produtos brasileiros e deve entrar em vigor no próximo dia 22. Apesar disso, produtos que juntos representam cerca de um terço das exportações brasileiras para o mercado norte-americano no primeiro semestre de 2026 foram excluídos da cobrança adicional.
Também ficaram isentos itens como celulose, minério de ferro, ferro-gusa, laranja e suco de laranja.
Por outro lado, diversos segmentos da indústria brasileira não escaparam do chamado “tarifaço”. Entre os produtos que continuarão sujeitos à sobretaxa estão:
Segundo o governo norte-americano, as exceções foram concedidas a produtos que os Estados Unidos não produzem em quantidade suficiente ou a preços considerados competitivos, evitando riscos de desabastecimento e impactos na economia interna.
O USTR justificou a medida afirmando que determinadas práticas adotadas pelo Brasil seriam prejudiciais aos interesses comerciais de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores dos Estados Unidos.
Em resposta, o governo brasileiro repudiou as novas tarifas e declarou não reconhecer a legitimidade da investigação conduzida pelo órgão norte-americano.
Em nota, o Brasil informou que pretende acionar os mecanismos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional, além de retomar a discussão no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC).
A exclusão do café da lista de produtos taxados foi celebrada por entidades do setor, entre elas a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), a Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) e o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).
Em nota conjunta, as entidades destacaram o trabalho realizado junto à National Coffee Association (NCA) e importadores norte-americanos durante as audiências públicas promovidas pelo USTR.
Segundo as organizações, a decisão preserva exportações brasileiras de café estimadas entre US$ 2 bilhões e US$ 2,5 bilhões por ano para os Estados Unidos, principal consumidor mundial da bebida.
As entidades, porém, alertaram que ainda existe uma segunda investigação em andamento no USTR, que poderá resultar em uma nova tarifa de até 12,5% sobre o café brasileiro.
Apesar da incerteza, o setor avalia que a manutenção do café na lista de exceções reforça a importância estratégica do Brasil como maior produtor e exportador mundial do produto.
(Com informações da Agência Brasil)
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