Após enfrentar a síndrome do pânico, Franciele criou o Brechó da Fran, em Umuarama. Além de vender roupas a preços populares, ela doa peças infantis para famílias em situação de vulnerabilidade - Foto: Danilo Martins/OBemdito
Os brechós deixaram de ser apenas uma alternativa para economizar e passaram a ocupar espaço de destaque no consumo brasileiro. Impulsionados pela moda circular, pela preocupação ambiental e pela busca por peças exclusivas, esses estabelecimentos conquistam principalmente o público mais jovem. Ao mesmo tempo, muitos desses negócios também se transformaram em instrumentos de inclusão social.
A proposta une sustentabilidade, economia e reaproveitamento de roupas que poderiam ser descartadas. Além disso, permite que consumidores encontrem peças de qualidade por preços acessíveis. Em alguns casos, porém, o impacto vai além do guarda-roupa e alcança diretamente quem mais precisa.
É esse o caminho seguido pelo Brechó da Fran, em Umuarama. O pequeno espaço se tornou a principal fonte de renda da empreendedora Franciele Silvana de Oliveira, 45 anos. Ao mesmo tempo, também funciona como ponto de arrecadação e doação de roupas infantis para famílias em situação de vulnerabilidade.
Antes de abrir o brechó, Franciele trabalhava como agente comunitária de saúde. No entanto, ela começou a enfrentar sintomas da síndrome do pânico. A doença passou a dificultar atividades simples da rotina, inclusive sair de casa e conduzir a motocicleta utilizada diariamente para trabalhar.
Diante desse cenário, ela precisou encontrar uma forma de gerar renda sem deixar o ambiente doméstico. Foi então que surgiu a ideia de montar um brechó, transformando uma necessidade em uma oportunidade de recomeço.
As primeiras peças vendidas foram doadas por amigos e conhecidos. A rede de apoio permaneceu e continua abastecendo o estoque do estabelecimento com roupas, calçados e acessórios.
O Brechó da Fran comercializa roupas, calçados e acessórios com valores que variam entre R$ 5 e R$ 40. Segundo Franciele, a proposta é oferecer produtos de qualidade por preços populares, permitindo que mais pessoas tenham acesso às peças.
A iniciativa acompanha um movimento crescente em todo o Brasil. O avanço da moda circular reflete a preocupação com os impactos ambientais provocados pela indústria da moda, especialmente pelo consumo acelerado do chamado fast fashion.
Além do aspecto ambiental, os brechós também atraem consumidores em busca de identidade. As peças únicas e vintage ajudam a construir um estilo próprio, enquanto o custo-benefício possibilita adquirir roupas de qualidade ou até de marcas conhecidas por valores reduzidos.
Embora o brechó represente o sustento da família, Franciele decidiu que as roupas infantis seguiriam outro caminho. Em vez de serem vendidas, elas são destinadas gratuitamente a quem necessita. A decisão nasceu da própria experiência vivida durante a gravidez, quando recebeu apoio de outras pessoas.
“Decidi doar as roupas infantis, porque quando fiquei grávida as pessoas me ajudaram bastante e queria retribuir”, afirma.
As peças destinadas às crianças também chegam por meio de doações feitas pela comunidade. Depois de recebidas, elas passam por organização e preparação antes de serem entregues às famílias.
Franciele reforça que novas doações são sempre bem-vindas. “Quem quiser doar roupas infantis pode entrar em contato comigo. Elas serão doadas a quem precisa com muito carinho”, diz.
O trabalho desenvolvido pelo Brechó da Fran mostra como um pequeno negócio pode gerar impactos que vão além da atividade comercial. Enquanto incentiva o consumo consciente e o reaproveitamento de roupas, o espaço também fortalece uma rede de solidariedade construída com a participação da comunidade.
O brechó está localizado no Parque Dom Pedro I, na Rua João Paulo dos Santos, nº 2850, em Umuarama. O atendimento também é feito pelo WhatsApp, no número (44) 98426-3316. No Instagram, o perfil é @oliveirafrancielesilvanade.
Franciele mostra que um desafio pessoal pode dar origem a um projeto capaz de transformar outras vidas. O brechó surgiu como alternativa para superar as dificuldades impostas pela síndrome do pânico.
Hoje, além de garantir o sustento da empreendedora, também promove o consumo consciente, incentiva o reaproveitamento e a solidariedade construída com o apoio da comunidade.
Fotos: Danilo Martins/OBemdito
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