Onça-pintada de 90 kg capturada em Mandaguari passará por exames no Zoológico de Cascavel antes da soltura. IAT e ICMBio definirão o destino e o monitoramento do animal - Foto: IAT
A onça-pintada capturada na área rural de Mandaguari, no Norte do Paraná, passará por uma série de exames antes de retornar à natureza. O Comando Integrado da Operação Onça confirmou a captura nesta quinta-feira (2), encerrando uma força-tarefa que durou 48 dias.
O felino é um macho adulto com aproximadamente seis anos e cerca de 90 quilos. Logo após a captura, equipes técnicas realizaram exames iniciais ainda em campo. Em seguida, o animal foi encaminhado ao Zoológico Municipal de Cascavel, no Oeste do Estado, onde permanecerá para avaliações complementares e coleta de material biológico.
Os exames vão confirmar as condições de saúde da onça antes da definição sobre a soltura. Além disso, os resultados servirão de base para o planejamento do monitoramento após o retorno do animal ao habitat natural.
A Operação Onça foi instalada em 16 de maio. A força-tarefa reuniu técnicos do Instituto Água e Terra (IAT), Polícia Militar Ambiental, Coordenadoria Estadual da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros do Paraná, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Prefeitura de Mandaguari.
Segundo a médica veterinária da Diretoria de Patrimônio Natural do IAT, Letícia Koproski, o procedimento ocorreu de forma segura e o felino apresentou boas condições clínicas.
“O animal estava aparentemente tranquilo quando foi sedado pelos médicos veterinários, ainda na madrugada desta quinta-feira. Fizemos alguns exames ainda no campo, onde constatamos um bom estado de saúde”, explica.
Na avaliação da bióloga da Diretoria de Patrimônio Natural do IAT, Nathália Colombo, toda a operação seguiu protocolos específicos para garantir a proteção das equipes e o bem-estar da onça.
“A operação foi um sucesso, seguindo parâmetros criteriosos para garantir a segurança tanto da população quanto o bem-estar do animal. Todas as etapas foram baseadas em protocolos específicos para o manejo de grandes felinos, priorizando uma atuação segura, responsável e baseada em critérios técnicos e científicos”, afirma.
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Agora, o Instituto Água e Terra iniciará uma nova etapa do trabalho em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Os órgãos definirão os procedimentos posteriores à captura, incluindo o local mais adequado para a soltura.
A decisão também levará em conta a forma de monitoramento do animal e aspectos ligados à conservação da espécie. O objetivo é garantir que o retorno ocorra em ambiente apropriado e contribua para a preservação das populações de onça-pintada.
O médico veterinário do setor de Fauna do IAT, Pedro Chaves de Camargo, destacou que a carga genética do felino poderá fortalecer a espécie.
“Seguiremos os critérios técnicos e ambientais aplicáveis para verificar o potencial ponto de soltura e como será feito o monitoramento deste bicho. Além disso, há aspectos relevantes para a conservação da espécie. Queremos aproveitar essa carga genética para reforçar a população de onças”, disse.
O Instituto Água e Terra reforça que qualquer contato com animais silvestres deve ser evitado. Conforme o órgão, a orientação é comunicar imediatamente as equipes especializadas para que o manejo seja realizado de forma segura.
De acordo com o biólogo Mauro Britto, a população não deve instalar armadilhas ou tentar capturar o animal por conta própria. Segundo ele, essa prática pode configurar crime ambiental, além de colocar pessoas e animais em risco.
“Por mais boa intenção que se tenha, não é permitido que se faça arapucas, armadilhas ou coisas assim. Isso pode ser enquadrado como crime ambiental, passível de processo e multa. Pedimos para que, quando de encontrar um animal de grande porte, acione o IAT imediatamente”, diz.
O atendimento pode ser solicitado pelos escritórios regionais do IAT ou pelo telefone do Setor de Fauna, no número (41) 9-9554-0553. O instituto destaca que os técnicos possuem treinamento específico para realizar esse tipo de ocorrência.
Mauro Britto afirma que a imagem de que onças representam grandes prejuízos para produtores rurais não corresponde à realidade. Segundo ele, os registros envolvendo ataques desses predadores são inferiores às perdas provocadas por outros fatores comuns nas propriedades.
Entre os principais problemas estão atolamentos de animais, doenças infecciosas, desnutrição e acidentes durante o manejo. Dessa forma, o especialista defende que medidas preventivas são mais eficientes para reduzir conflitos entre produtores e fauna silvestre.
“Vale lembrar que as orientações para a prevenção a ataque de predadores inclui também um melhor manejo da propriedade, oferecendo maior segurança ao proprietário rural e ao animal, como a instalação de luzes e alarmes”, afirma Britto.
O IAT orienta que qualquer pessoa que encontre um animal silvestre ferido ou presencie atividades ilegais contra a fauna entre em contato imediatamente com o órgão ambiental.
As denúncias podem ser feitas pela Ouvidoria do Instituto Água e Terra ou pelo Disque Denúncia 181. A recomendação é informar a localização exata da ocorrência e relatar, com o maior número possível de detalhes, o que aconteceu. Essas informações agilizam a apuração dos fatos e permitem uma resposta mais rápida das equipes responsáveis.
Com informações: GMC
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