A forte atividade sísmica registrada na costa da Venezuela na noite desta quarta-feira (24) ecoou em estados da região Norte do Brasil, provocando a desocupação imediata de edifícios e episódios de correria em áreas urbanas de Roraima, Amapá, Amazonas e Pará.
Embora o Centro de Sismologia da USP descarte riscos estruturais em território nacional, moradores relataram oscilações acentuadas em imóveis de andares elevados.
O epicentro do fenômeno foi localizado pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) em Montalbán, na Venezuela, a uma profundidade de 13 quilômetros.
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Dois tremores sucessivos, com magnitudes de 7,5 e 7,2, atingiram o país vizinho no momento em que a população celebrava o feriado nacional da Batalha de Carabobo, marco da independência de 1821.
Na capital, Caracas, situada a 168 quilômetros do ponto de origem, houve desabamento de estruturas, fissuras em fachadas e fuga de residentes para as vias públicas.
Alertas de tsunami chegaram a ser emitidos para ilhas caribenhas como Porto Rico e Aruba, mas foram cancelados horas depois. No mesmo dia, o Japão registrou um abalo isolado de 6,9 na ilha de Honshu.
No Brasil, os efeitos mecânicos da onda de choque foram sentidos no início da noite, coincidindo com a transmissão da partida de futebol entre Brasil e Escócia.
Em Manaus, moradores da zona centro-sul relataram oscilações contínuas cerca de dois minutos após a abertura do placar pelo time brasileiro. Famílias deixaram apartamentos em condomínios da avenida Mário Ypiranga para aguardar nas áreas comuns após testemunharem o balanço de luminárias e objetos domésticos.
A Defesa Civil do Amazonas confirmou que o fenômeno é um reflexo direto do abalo no Caribe. Cenário semelhante ocorreu em Belém, onde a administração municipal coordenou a evacuação preventiva de edifícios nos bairros Umarizal, Jurunas, Cremação e Pedreira.
No bairro Batista Campos, moradores de uma torre de 33 pavimentos desceram as escadas às pressas, e parte das famílias optou por se abrigar temporariamente na casa de parentes.
Vistorias realizadas pelo Corpo de Bombeiros e pela Defesa Civil do Pará constataram a ausência de rachaduras ou colapsos, liberando o retorno seguro às unidades habitacionais.
O impacto também foi registrado em cidades do interior e em outras capitais da Linha do Equador. Em Macapá, o perímetro de segurança de um prédio de 23 andares no centro da cidade foi isolado para análises técnicas do Corpo de Bombeiros enquanto os moradores aguardavam nas calçadas.
Em municípios periféricos como Cutias do Araguari (AP), a movimentação atípica da água em reservatórios particulares chamou a atenção da população, enquanto em Laranjal do Jari (AP) moradores também relataram trepidações em estruturas de alvenaria.
Dados consolidados pela Rede Sismográfica Brasileira (RSBR) confirmam a percepção dos tremores em Belém, Macapá, Manaus e Boa Vista.
Segundo o sismólogo Bruno Collaço, da USP, a propagação de ondas gerada por eventos dessa magnitude explica o susto nas capitais brasileiras, mas a distância geográfica impede reflexos destrutivos.
O especialista alertou, no entanto, para a probabilidade de réplicas de menor intensidade nos próximos dias na região litorânea da Venezuela.
(Com informações das Agências Internacionais)
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