Fotos: Jaqueline Mocellin/OBemdito
A Campanha e-Lixo movimentou o espaço da Feira do Produtor de Umuarama na última quinta-feira (11) durante o recebimento de descartes eletrônicos. Moradores aproveitaram a iniciativa para dar o destino correto a computadores velhos, televisores, celulares e eletrodomésticos sem uso, entre outros. Ao todo, a campanha arrecadou 3.738 quilos de lixo eletrônico, além de lâmpadas e pilhas – que não estão contabilizadas neste montante.
O evento, que aconteceu das 9h as 16h, une a urgência da preservação ambiental com uma oportunidade única de formação prática para jovens universitários da região. Uma parceria sólida viabiliza a iniciativa. A Prefeitura Municipal de Umuarama coordena o projeto ao lado do Instituto Federal do Paraná (IFPR), da Universidade Paranaense (Unipar), da Faculdade Alfa Umuarama (Unialfa) e do Sicoob.
A ação conta ainda com o apoio operacional essencial da Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis de Umuarama (Coperuma) e da Sanepar. Juntos, esses parceiros retiram do ecossistema materiais pesados perigosos e estendem o ciclo de vida da tecnologia.
Quem passa pelas bancadas de triagem percebe o entusiasmo dos acadêmicos. Ao todo, 17 alunos dos cursos de tecnologia — do primeiro ao último período — participam ativamente do processo. Os professores Elyssandro Piffer (Programação/Unipar), Leandro Clementino (Redes de Computadores/Unipar), Elaine Praça (Engenharia de Software/IFPR) e Rafael Barros (Algoritmo e Estrutura de Dados/Unialfa) supervisionam os trabalhos.
A campanha quebra a rotina acadêmica tradicional. O professor Alessandro destaca que a atividade preenche uma lacuna importante na formação dos estudantes. “O curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas foca muito em desenvolvimento, conceitos e teorias dentro da sala de aula. Aqui na triagem, os alunos têm a oportunidade real de mexer com o hardware, de fazer o desmonte e entender a máquina por dentro”, explica o docente.
Além do conhecimento técnico, os estudantes ganham liberdade para aprender sem pressão. No laboratório da faculdade, existe o medo natural de queimar ou danificar componentes caros. Na Campanha e-Lixo, essa barreira desaparece. Os jovens investigam os circuitos, testam componentes e descobrem o funcionamento das placas eletrônicas com total autonomia.
A interação com a comunidade gera momentos de descontração e aprendizado. Ryan Rigoto, de 21 anos, cursa o terceiro ano de ADS no IFPR e participa do evento pela terceira vez. Ele relata o fascínio de encontrar objetos que fazem parte da história da tecnologia.
“Chegou muita caixa de som, DVDs de séries e até discos de vinil populares. Nós pegamos um aparelho de som antigo de vinil que estava travando, abrimos, limpamos o mecanismo e fizemos o prato girar normal de novo. Só não conseguimos ouvir a música porque faltava a agulha”, diverte-se o estudante.
A campanha estimula o combate ao desperdício por meio do reúso. Como incentivo, os organizadores permitem que os alunos escolham um item funcional da triagem para levar para casa. Ryan, por exemplo, resgatou um notebook antigo e simples.
“Ele está funcionando perfeitamente. Vou usar apenas para navegação básica na internet, mas já ganha uma sobrevida útil”, conta. Outros acadêmicos adotaram secadores de cabelo e televisores antigos que ainda funcionavam.
Essa prática segue uma regra rígida: o aparelho precisa funcionar. Os professores instruem os alunos a levarem apenas itens operacionais para evitar que os eletrônicos voltem a virar lixo comum nas residências, o que anularia o propósito ecológico do projeto.
A série histórica da Campanha e-Lixo revela uma tendência intrigante: a queda expressiva no peso total arrecadado. Em 2015, o projeto atingiu o recorde de 22 toneladas coletadas. Nos últimos anos, a média estabilizou-se entre 3 e 5 toneladas por edição.
Essa redução não significa que a população está participando menos, mas sim que a tecnologia mudou drástica e estruturalmente. O professor Alessandro esclarece a dinâmica industrial por trás desses números:
– Monitores e TVs de Tubo: Nas primeiras edições, as famílias descartavam aparelhos de tubo de raios catódicos (CRT). Essas peças antigas carregavam carcaças pesadas, vidro espesso e transformadores de cobre volumosos.
– Tecnologia Leve e Compacta: O lixo eletrônico atual é composto por telas de LED, smartphones, tablets e notebooks finos. Esses dispositivos utilizam placas miniaturizadas e materiais plásticos ultra leves.
– Obsolescência Programada: Os equipamentos modernos pesam uma fração de seus antecessores, embora o volume de unidades descartadas continue alto.
Essa mudança no perfil do descarte exigiu ajustes na estrutura do evento. No início da trajetória, em 2011, a coleta estendia-se por três dias consecutivos. Com o tempo, por questões de logística, transporte e gestão de pessoal, a organização concentrou a mobilização em um único dia. A mudança garantiu eficiência máxima no carregamento direto do caminhão coletor.
O material coletado na Feira do Produtor recebe destinações inteligentes e sustentáveis baseadas no seu estado de conservação:
Os computadores e componentes que apresentam potencial de recuperação viajam para os laboratórios das instituições de ensino parceiras. Sob a mentoria dos professores, os próprios alunos realizam a manutenção, trocam peças e instalam sistemas operacionais atualizados.
Após a revitalização, as faculdades doam essas máquinas prontas para entidades assistenciais, escolas públicas e projetos de inclusão digital de Umuarama.
Os itens históricos ou muito raros que perdem a utilidade prática no dia a dia ganham um espaço de honra. A Unipar mantém um Museu Tecnológico voltado para a preservação da história da informática. Aparelhos antigos que ajudam a contar a evolução dos circuitos são catalogados e expostos no acervo da universidade.
Os equipamentos completamente inutilizados, quebrados ou obsoletos ficam sob a responsabilidade da Coperuma. A cooperativa executa a triagem final minuciosa, separando criteriosamente o plástico, o ferro, o vidro, o cobre e o chumbo. Posteriormente, a entidade destina esses insumos para indústrias de reciclagem reversa qualificadas.
Essa destinação final monitorada evita tragédias ambientais silenciosas. Os componentes eletrônicos abrigam metais pesados altamente tóxicos, como mercúrio, cádmio e chumbo. Quando jogados no lixo comum, esses aparelhos quebram e liberam substâncias que contaminam o solo e os lençóis freáticos da região, ameaçando a saúde pública.
A Campanha e-Lixo Umuarama rompe esse ciclo de poluição, provando que o descarte consciente protege a natureza, gera renda para os catadores e qualifica o futuro dos novos profissionais de tecnologia.
A família confirmou no início da noite deste sábado (25) que o corpo encontrado no…
Quem procura uma padaria em Umuarama talvez não imagine encontrar, em pleno Parque San Remo, um espaço…
A Polícia Rodoviária Estadual (PRE) apreendeu 225 pacotes de cigarros contrabandeados no município de Francisco…
As ameaças e o furto de R$ 5 mil efetuados por um jovem de 17…
A Defesa Civil do Rio Grande do Sul informou neste sábado (25) que 206 cidades foram afetadas…
Estamos na época mais bonita do ano: as vias públicas e calçadas de Umuarama transformam-se…
Este site utiliza cookies
Saiba mais