Pai de Henry Borel critica o perdão judicial concedido a Monique Medeiros e anuncia recurso para tentar anular a decisão - Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
O engenheiro Leniel Borel, pai de Henry Borel, criticou duramente a decisão da Justiça que concedeu perdão judicial a Monique Medeiros, mãe do menino morto em março de 2021. Em vídeos publicados nas redes sociais, ele afirmou que a medida representou a “terceira morte” do filho.
A manifestação ocorreu após o encerramento do julgamento realizado no II Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. O processo foi concluído na madrugada desta quinta-feira (4), após 11 dias de depoimentos, debates e deliberações dos jurados.
Segundo Leniel, a decisão gera preocupação por transmitir uma mensagem equivocada à sociedade. Ele declarou que pretende recorrer judicialmente para tentar reverter o resultado relacionado à ex-esposa.
“Agora venho para vocês falar que mataram o meu filho pela terceira vez. O que foi falado ali agora é que a misoginia matou o Henry. O Henry representa essas milhares de crianças que são vítimas todo dia e, por causa de decisões como essa, se abre precedente para outras mães, genitoras, que possam matar seus filhos, que possam permitir que seus filhos sejam mortos”, afirmou.
Leniel também declarou que considera ter ocorrido uma segunda injustiça em decisão anterior do processo, que, em sua avaliação, favoreceu Monique. Por isso, classificou o desfecho mais recente como a terceira vez em que o filho teria sido prejudicado pelo sistema judicial.
O ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Dr. Jairinho, foi condenado a mais de 43 anos de prisão pela morte de Henry Borel. O júri reconheceu sua responsabilidade pelos crimes analisados durante o processo.
A defesa de Jairinho informou que pretende apresentar recurso contra a condenação. Os advogados sustentam que a decisão não corresponde às provas produzidas nos autos.
Já Monique Medeiros teve a acusação de homicídio doloso desclassificada para homicídio culposo. Na sequência, a juíza responsável pelo caso concedeu perdão judicial, extinguindo a punição relacionada ao crime.
A mãe de Henry também foi condenada por omissão em relação ao crime de tortura. No entanto, a pena foi considerada cumprida devido ao período em que ela permaneceu presa preventivamente.
Na sentença, a magistrada afirmou que Monique foi alvo de um intenso julgamento público ao longo dos últimos anos. A decisão menciona perseguição nas redes sociais e episódios classificados como misoginia.
Leia também: Caso Henry Borel: Justiça condena Jairinho a 43 anos; Monique Medeiros recebe perdão judicial
Leniel contestou a fundamentação apresentada pela juíza. Segundo ele, a responsabilidade pela proteção do filho cabia à mãe, que estava no apartamento onde ocorreram os fatos investigados.
“A misoginia matou o Henry? Como vou falar para minha mãe, a avó do Henry, que foi a misoginia da sociedade que matou o Henry? Quem tinha o dever de garantir a proteção do Henry se chama Monique, que estava naquele apartamento com o Jairo”, declarou.
O advogado Cristiano Medina da Rocha, assistente de acusação no processo, informou que pedirá a anulação do julgamento. Entre os argumentos apresentados está a alegação de erro na formulação dos quesitos submetidos aos jurados.
Segundo a defesa da família, a forma como as perguntas foram apresentadas ao Conselho de Sentença pode ter influenciado o resultado final do julgamento.
Henry Borel morreu em 8 de março de 2021, aos 4 anos de idade. A investigação concluiu que a criança morreu em decorrência das agressões atribuídas a Jairinho e da omissão de Monique diante da situação.
Cerca de um mês após a morte do menino, os dois foram presos preventivamente. Desde então, o caso se tornou um dos processos criminais de maior repercussão no país.
Com a condenação, Jairinho permanecerá preso enquanto aguarda a análise dos recursos. Já Monique teve alvará de soltura expedido após a decisão do Tribunal do Júri.
Com informações: GMC
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