Política

‘Pretexto para intervenção é inaceitável’, diz embaixador sobre EUA classificarem PCC e CV como terroristas

O assessor especial da Presidência da República, embaixador Celso Amorim, afirmou que usar a classificação de facções criminosas como “pretexto para intervenção” é “inaceitável”. A declaração foi feita após os Estados Unidos anunciarem que irão classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

Em viagem a Moscou para participar do Fórum Internacional de Segurança, Amorim disse que o combate ao crime organizado deve ocorrer por meio de cooperação internacional, mas sem violar a soberania dos países.

“Crime organizado é um mal que tem que ser combatido. Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Pretexto para intervenção é inaceitável”, afirmou o assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Durante o evento, o embaixador também criticou a equiparação entre narcotráfico e terrorismo.

“O crime organizado deve ser combatido com a máxima energia e determinação. Equiparar o crime organizado ao terrorismo, no entanto, não ajuda. Compreender as motivações é essencial para a eficácia do combate a todos os tipos de crime”, declarou.

Decisão dos EUA entra em vigor em junho

O Departamento de Estado dos EUA anunciou nesta quinta-feira (28) que PCC e CV passarão a ser classificados como “Organizações Terroristas Estrangeiras” e “Terroristas Globais Especialmente Designados”. A medida entra em vigor em 5 de junho.

Segundo o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, as facções brasileiras são responsáveis por ataques violentos e possuem atuação além das fronteiras do Brasil.

A classificação permite aos EUA ampliar sanções financeiras, bloquear ativos e endurecer medidas internacionais contra integrantes e empresas ligadas aos grupos criminosos.

Governo teme impacto sobre soberania

O governo brasileiro vem rejeitando a classificação das facções como organizações terroristas. Integrantes da diplomacia e especialistas em relações internacionais avaliam que a medida pode abrir margem para intervenções externas sob justificativa de combate ao narcotráfico.

O tema ganhou repercussão após analistas relembrarem ações dos Estados Unidos em países da América Latina realizadas sob o argumento de combate ao terrorismo ou ao narcotráfico. Entre os exemplos citados estão medidas adotadas contra Cuba e Venezuela.

(Com informações Agência Brasil)

Luiz Fernando

Luiz Fernando é estudante de Jornalismo na Universidade Estadual de Londrina e trabalha há três anos no portal OBemdito auxiliando na cobertura de notícias em Umuarama e região.

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