Brasil

Fundador da Ultrafarma é denunciado pelo MP por fraude bilionária de ICMS

O Ministério Público de São Paulo denunciou o empresário Sidney Oliveira, fundador da Ultrafarma, e outras 10 pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa que teria manipulado créditos de ICMS na Secretaria da Fazenda paulista. Segundo a denúncia, o esquema pode ter causado prejuízo bilionário aos cofres públicos.

Entre os denunciados está o ex-auditor fiscal Artur Gomes da Silva Neto, apontado como principal articulador do esquema, que teria movimentado cerca de R$ 1 bilhão em propinas para liberar créditos fraudulentos a grandes empresas do varejo.

Pedidos de prisão e medidas cautelares

A promotoria solicitou a prisão preventiva de sete investigados, incluindo auditores fiscais e pessoas apontadas como integrantes dos núcleos técnico e financeiro da organização.

O MP também pediu medidas cautelares aos denunciados, como uso de tornozeleira eletrônica, apreensão de passaportes, comparecimento mensal à Justiça e proibição de deixar o estado onde residem.

Segundo os promotores, os crimes teriam ocorrido entre 2021 e 2025. A denúncia afirma que a Ultrafarma pode ter sido beneficiada com cerca de R$ 327 milhões em ressarcimentos indevidos de créditos de ICMS.

Pagamentos em dinheiro e investigação

De acordo com a promotoria, mensagens indicam que pagamentos de propina eram feitos em dinheiro vivo. Em conversas analisadas, fiscais eram chamados de “amigo” e um deles de “king”.

Dados de celular indicariam deslocamentos do ex-auditor até o escritório da empresa em datas que coincidiriam com entregas de valores. Em um dos episódios, a investigação aponta a retirada de R$ 250 mil em espécie.

Sidney Oliveira já havia sido denunciado em fevereiro por pagamento de propina a fiscais da Fazenda. Ele chegou a ser preso em agosto do ano passado durante operação que também prendeu um empresário ligado à Fast Shop, posteriormente soltos.

Situação dos investigados

O ex-auditor Artur Gomes segue preso e chegou a negociar delação premiada, sem avanço nas tratativas. Já Alberto Toshio Murakami está foragido e teve a inclusão solicitada na Difusão Vermelha da Interpol, com suspeita de estar nos Estados Unidos.

Em nota anterior, a Ultrafarma afirmou que colabora com as investigações e que as acusações serão esclarecidas ao longo do processo. O espaço segue aberto para manifestações das defesas.

Redação

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