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Vereador de Xambrê grava chegada da polícia para prendê-lo, mas foge pulando muro

O presidente da Câmara de Vereadores de Xambrê, Ademir Leite da Silva (PL), conhecido como Ademir Cabeção, fugiu durante o cumprimento de um mandado de prisão preventiva em sua residência, na noite da última quinta-feira (7). O vereador escapou pelos fundos do imóvel, pulando muros de casas vizinhas enquanto policiais civis aguardavam, na sala da casa, que ele trocasse de calçado, no quarto.

A fuga se deu na noite da última quinta-feira (7), momentos após a abordagem do delegado da Polícia Civil em Xambrê, Antônio Romero. O episódio foi parcialmente gravado, ao que tudo leva a crer, pelo próprio Ademir.

Nas imagens, o vereador aparece em frente à sua residência conversando por telefone com um advogado enquanto o delegado busca cumprir a ordem judicial. Inicialmente, Ademir Cabeção dá entender que esperava apenas receber uma intimação.

O delegado, então, informa que havia contra ele um mandado de prisão preventiva decretado pela Justiça. “Então o senhor vai acompanhar a gente. Foi decretado um mandado de prisão preventiva contra o senhor”, afirma o policial, na gravação.

Leia também: Presidente da Câmara de Xambrê é preso embriagado após discussão em posto de combustível

O vereador demonstra surpresa e pergunta diversas vezes o motivo da prisão. O policial responde apenas que a medida havia sido autorizada judicialmente e que a situação seria conduzida “dentro da legalidade”.

Durante o vídeo, o delegado também afirma que tentava evitar “constrangimentos” e realizar o procedimento “da melhor forma possível”. Ademir, por sua vez, diz que iria colaborar e pede autorização para pegar documentos e trocar de calçado antes de acompanhar os policiais.

Pouco depois, possivelmente com o delegado na sala da residência, Ademir Cabeção conseguiu fugir do imóvel. Testemunhas afirmam que ele teria saído pelos fundos da casa, passado por terrenos vizinhos e pulado muros para escapar da custódia policial.

No início da noite deste domingo (10), após a insistência da imprensa, o delegado Antônio Romeiro confirmou a fuga de Ademir.

“Tendo em vista que o fato se tornou público, extrapolando o sigilo legal do procedimento a partir das notícias e vídeo que circulam, é importante informar que de fato houve a tentativa de cumprimento de mandado, momento em que a pessoa indicada empreendeu fuga pelos fundos da residência após ser cientificada da ordem judicial. Em razão de (o mandado) ainda estar em aberto, estão sendo realizadas todas diligências possíveis para a localização e captura do foragido”, disse, em nota, Romeiro.

O advogado do vereador, Victor Umberto Santos Serutti, também confirmou a atitude do cliente. “O Ademir foi surpreendido pelos policiais e, não aceitando o mandado de prisão, se evadiu. Quero ressaltar que a abordagem policial na residência do Ademir aconteceu por volta da meia noite. O delegado não apresentava o mandado de prisão”.

Serutti afirmou a OBemdito que na sexta-feira (8) de manhã procurou o delegado e não teve acesso aos autos (do processo).

“O delegado me passou o número do inquérito policial, que está em segredo de justiça. Nem eu, como advogado, consegui acessar. Então eu procurei o Judiciário, que, num primeiro momento, também não franqueou o acesso. Quero frisar que precisei acionar a Comissão de Prerrogativa da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) para fazer valer o direito da defesa”.

De acordo com o advogado, Ademir Leite da Silva deveria se apresentar na delegacia na sexta-feira, o que não foi possível pela dificuldade da defesa em tomar ciência dos detalhes do suposto crime cometido. Serutti informou que vai orientar o cliente a se apresentar no início desta semana. “A defesa fará a orientação. Caberá ao Ademir decidir pela apresentação, ou não”.

Na ordem de captura, o juiz da comarca de Xambrê, Fabio Caldas de Araújo, determina a prisão preventiva (sem prazo fixo para terminar) de Ademir com base no artigo 24 “a” da Lei 11.340, que fala sobre o descumprimento de medida protetiva no âmbito da Lei Maria da Penha.

O vereador é acusado de agredir a ex-esposa. A mulher chegou a procurar a polícia para retirar a denúncia, mas o crime se tipifica como Ação Penal Pública Incondicionada, que independente do arrependimento da possível vítima.

Leonardo Revesso

Graduado em Direito pela Unipar, mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e especializando em Neurociência do Consumo pela ESPM. Tutor da Olívia, da Ludi e da Mila. Está no jornalismo há 27 anos (iniciou aos 15). No OBemdito escreve sobre política e consumo.

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