Paraná

Moradora de Cruzeiro do Oeste inicia tratamento com polilaminina após ficar paraplégica; com vídeo

A moradora de Cruzeiro do Oeste, Fabiane Azevedo, iniciou uma nova etapa no processo de recuperação com a aplicação de polilaminina. Ela sobreviveu a uma tentativa de feminicídio na noite de Natal de 2025, mas ficou paraplégica. Tudo isso fez sua vida mudar totalmente, porém, o procedimento traz uma nova esperança de reabilitação.

Há aguns dias ela começou um tratamento experimental com polilaminina, substância estudada para regeneração de lesões medulares. O procedimento aconteceu no dia 1º de maio, em Curitiba.

A história de Fabiane mobilizou moradores de Cruzeiro do Oeste e de outras cidades do Noroeste do Paraná. Desde o crime, familiares, amigos e profissionais da saúde acompanham a luta da vítima pela recuperação dos movimentos e pela retomada da qualidade de vida. A corrente de solidariedade também motivou campanhas de apoio e mobilizações nas redes sociais.

Na ocasião do ataque, Fabiane sofreu múltiplos golpes de faca e uma das lesões atingiu diretamente a medula espinhal. O ferimento provocou a perda dos movimentos das pernas.

Mãe de três filhos pequenos, Fabiane passou a enfrentar uma rotina desgastante, marcada por internações, tratamentos médicos e sessões contínuas de reabilitação. A recuperação exige acompanhamento especializado e suporte permanente da família. Desde então, a vítima também se tornou símbolo de resistência para moradores da região.

Aplicação da polilaminina

Em meio a toda dificuldade, surgiu a oportunidade de Fabiane ser submetida ao tratamento experimental com a polilaminina. Após todos os procedimentos preliminares, os médicos agendaram a sessão de aplicação da polilaminina para o primeiro dia do mês de maio.

A transferência para Curitiba contou com apoio da Prefeitura de Cruzeiro do Oeste, por meio da Secretaria Municipal de Saúde e do setor de transporte. A Secretaria de Estado da Saúde do Paraná também participou do suporte para deslocamento e atendimento médico. Após o procedimento, Fabiane permaneceu sob observação hospitalar.

De acordo com familiares, a expectativa agora está concentrada no avanço do tratamento e nas próximas etapas de fisioterapia intensiva. A paciente deverá seguir acompanhamento multiprofissional nos próximos meses. O objetivo é estimular possíveis respostas neurológicas e ampliar a recuperação funcional.

O que é a polilaminina?

A polilaminina é uma substância experimental desenvolvida no Brasil e estudada para o tratamento de lesões na medula espinhal. A pesquisa é conduzida pela cientista Tatiana Sampaio, coordenadora do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Os estudos vêm sendo desenvolvidos há mais de 20 anos.

O composto deriva da laminina, proteína naturalmente presente no organismo e considerada essencial para a estrutura dos tecidos nervosos. Segundo os pesquisadores, a proposta é que a substância funcione como uma espécie de “andaime biológico”. A intenção é estimular a reorganização das conexões neurais lesionadas e favorecer processos regenerativos na medula espinhal.

A pesquisa ganhou repercussão nacional após resultados considerados promissores em estudos laboratoriais e testes pré-clínicos. Em janeiro deste ano, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou o início da fase 1 dos estudos clínicos em humanos. A etapa busca avaliar a segurança do tratamento em pacientes com trauma raquimedular agudo.

Especialistas ressaltam, porém, que a polilaminina ainda é considerada uma terapia experimental. Os estudos continuam em andamento para comprovar segurança, eficácia e possíveis benefícios clínicos em humanos. Apesar disso, o tratamento passou a representar esperança para pacientes com lesões medulares graves.

Caso reacende debate sobre violência contra mulheres

A trajetória de Fabiane também reacendeu o debate sobre a violência contra a mulher e as consequências enfrentadas pelas vítimas que sobrevivem a agressões extremas. Em muitos casos, as marcas da violência continuam mesmo após o atendimento emergencial. As sequelas físicas e emocionais transformam completamente a rotina das vítimas e de suas famílias.

Além do impacto psicológico, vítimas de feminicídio tentado frequentemente enfrentam dificuldades financeiras, limitações físicas e longos períodos de tratamento médico. O caso registrado em Cruzeiro do Oeste ampliou a discussão sobre acolhimento, assistência e proteção às mulheres vítimas de violência doméstica. A repercussão mobilizou moradores e entidades da região.

Entre sessões de fisioterapia, tratamentos médicos e campanhas de apoio, Fabiane inicia agora uma nova etapa cercada pela família e acompanhada por equipes especializadas. Mesmo diante das incertezas, a expectativa pela recuperação mantém viva a esperança de avanços na qualidade de vida da paciente.

(OBemdito com Movimento em Saúde)

Alex Nascimento

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