Soldado israelense ataca estátua de Jesus crucificado no sul do Líbano (Foto Rede Social)
As mais altas autoridades de Israel manifestaram repúdio, nesta segunda-feira (20), à conduta de um militar que apareceu em gravações destruindo uma estátua de Jesus crucificado no sul do Líbano.
O caso ganhou ampla repercussão nas redes sociais após a confirmação da autenticidade das imagens pelas Forças de Defesa de Israel (FDI).
Em publicação na plataforma X, o premiê Binyamin Netanyahu declarou-se “chocado e triste” ao tomar conhecimento do episódio, que classificou como um atentado a um símbolo católico.
“Um soldado das FDI havia danificado um símbolo religioso católico no sul do Líbano”, escreveu. O governo israelense prometeu punições duras contra o envolvido.
O incidente ocorreu em um pequeno santuário montado no jardim de uma família residente nos arredores da vila de Debel, conforme relatou o padre Fadi Falfel à Reuters.
O religioso denunciou a quebra da cruz como “coisa horrível” e “profanação dos nossos símbolos sagrados”.
Ele também lamentou que o cessar-fogo não tenha restabelecido a normalidade.”Ainda estamos cercados, sem poder ir e vir da cidade”.
A Assembleia dos Ordinários Católicos da Terra Santa, liderada pelo cardeal Pierbattista Pizzaballa, emitiu nota condenando o ato como “grave afronta à fé cristã”.
O texto aponta ainda uma “preocupante falha na formação moral e humana” das tropas, evidenciada pela ausência de “elementar reverência pelo sagrado”.
O Exército israelense usou a mesma rede social para admitir que o caso é de “gravidade extrema”. Segundo a corporação, a conduta do soldado “é totalmente inconsistente com os valores” que se espera de seus integrantes.
As FDI afirmaram que tomarão “medidas apropriadas” contra os responsáveis, sem especificá-las, e que já trabalham para restaurar a estátua com o auxílio da comunidade local.
O chanceler israelense, Gideon Saar, também se pronunciou. Ele qualificou a ação de “vergonhosa e desonrosa” e manifestou confiança de que punições severas serão aplicadas.
“Pedimos desculpas por este incidente a todos os cristãos cujos sentimentos foram feridos”, acrescentou.
O embaixador americano em Israel, Mike Huckabee, defendeu na mesma plataforma uma resposta “rápida, severa e pública”.
O Líbano entrou na guerra regional em março, após o Hezbollah, grupo aliado do Irã, disparar foguetes contra Israel.
A retaliação israelense incluiu bombardeios em larga escala e uma invasão terrestre pelo sul, que já vitimou 2,3 mil pessoas.
No último domingo (19), as FDI divulgaram um mapa atualizado com seu novo posicionamento no território libanês.
A linha avança de cinco a dez quilômetros a partir da fronteira e coloca dezenas de vilarejos sob controle israelense.
A área, segundo Tel Aviv, servirá como zona de segurança para proteger cidades do norte de Israel.
Vilarejos libaneses foram destruídos nesse processo, numa estratégia que organizações internacionais comparam à adotada na Faixa de Gaza.
(Com informações da Folha Press)
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