Ítalo Fabio Casciola

Belos tempos quando as araras-azuis coloriam nossos bosques…

Entre as belas recordações da Umuarama de antigamente é impossível esquecer das araras-azuis. Uma das mais belas aves da fauna brasileira. No início da colonização, quando ainda restava grande parte das florestas – que depois foram derrubadas completamente – a gente tinha a sorte de vê-las aqui.

Nas duas reservas verdes que existem até hoje – o Bosque do Índio e o Bosque Uirapuru – era comum a visita delas, mas temporariamente, elas não viviam ali. Elas vinham das florestas que ainda existiam na região e, principalmente, lá das matas e barrancas que ladeavam o Rio Paraná. As araras-azuis circulavam por todos os cantos da região procurando frutas ou por hábito de voar por longas distâncias…

Conforme as florestas foram desaparecendo e a cidade foi crescendo cada vez mais populosa e barulhenta, elas também sumiram. Isso aconteceu lá pela primeira década pós-fundação de Umuarama, anos 1950. Depois, como era esperado, elas imigraram para o Pantanal e países vizinhos.

Mas, se serve como consolo, há quem diga que ainda restam poucas araras-azuis ainda vivendo às margens e nas ilhas do Rio Paraná. Porém, são raridades se comparado com outros tipos de aves, inclusive araras de outras cores. As azuis mesmo praticamente desapareceram…

Uma atração que encantava os moradores de Umuarama e das áreas vizinhas eram os grupos de araras-azuis que passavam voando por cima da cidade. Faziam o percurso voando em distâncias não muito altas e facilitavam os moradores de vê-las e admirá-las.

Foto ilustrativa: Prefeitura de Araras/SP

Os bandos eram barulhentos e chamavam a atenção

Circulavam em bandos de 10 a 30 araras e chamavam a atenção pois passavam “gritando” alto, emitindo sons do tipo “croaaaaac, croac, croac” que para muitos eram escandalosos e era impossível não chamar a atenção… Seus gritos podiam ser ouvidos a grandes distâncias. Elas só se acalmavam quando encontravam árvores com frutinhas de sua preferência e, enquanto comiam, faziam silêncio absoluto…

Depois das “refeições”, a gritaria voltava forte. E continuavam circulando, pois eram inquietas e não ficavam muito tempo nos mesmos lugares. Com exceção de quando chovia, e elas eram obrigadas a permanecer escondidas no meio das árvores de grandes folhagens para se proteger das águas que caíam e dos ventos fortes no caso de tempestades. Mas assim que o tempo acalmava, elas saíam voando velozmente seguindo para outras áreas.

Vale recordar que a legião de araras-azuis era uma espécie abundante no Paraná, incluindo o Noroeste onde vivemos, no início do século passado. Pesquisadores especializados em aves selvagens revelam que a causa do desaparecimento delas foi a extinção das florestas.

A destruição do habitat (perda, fragmentação, descaracterização) principalmente com o gigantesco crescimento da cafeicultura, além das pastagens cultivadas, agricultura e colonização no Noroeste e em outras regiões do Estado provocou o desaparecimento definitivo delas não apenas aqui, mas em todo o território paranaense… Elas foram embora para o Pantanal e para outros países vizinhos como o Paraguai e a Bolívia.

Leia também: Harpia, a ave que era adorada pelos índios Xetá sumiu de Umuarama para sempre!

Foto ilustrativa: Awebic

Índios Xetá cultuavam as araras-azuis

Há registros históricos de que a tribo Xetá, formada pelos índios que habitavam a região onde Umuarama está situada hoje, chamavam a arara-azul de ararauna, que significa “arara preta”. Isso porque a parte de baixo das asas da arara-azul é negra. Além disso, ao ser vista ao longe, essa ave parece toda preta e não azul-escura. É importante registrar que existe a arara-azul-grande e a ararinha-azul (Cyanopsitta spixii) que é muito menor.

Segundo relatos de historiadores sobre a relação dos Xetá e esse tipo de araras, esses indígenas eram verdadeiros fãs em colecionar suas penas. Eles ficavam procurando as penas que as araras deixavam cair no meio das matas e as catavam para incluí-las em seus enfeites que usavam na cabeça e braços.

Além de sua admiração pela beleza de suas penas de azul intenso, os índios adoravam essas aves pelo seu tamanho: essa espécie pode ter até um metro de comprimento, pesar um quilo e meio e, por isso, é considerada a maior arara do mundo superando o porte das araras de outras cores. (ITALO FÁBIO CASCIOLA, Especial para OBEMDITO).

Leia também: Com a colonização, Umuarama ficou sem a sua tribo indígena e sem a águia gigante, a harpia!

Ítalo Fábio Casciola

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