Arlete Caramês dedicou mais de três décadas à busca pelo filho desaparecido e à causa de crianças desaparecidas no Paraná (Foto Rede Social)
Arlete Ivone Caramês morreu nesta terça-feira (24), em Curitiba, aos 82 anos, após período de internação. Sua trajetória ficou marcada pela busca incansável pelo filho, desaparecido ainda na infância, e pela atuação na mobilização em defesa de crianças desaparecidas.
O velório ocorre nesta terça-feira (25), das 7h às 12h, na Capela Vaticano, Sala Cristal, na capital paranaense. Após a despedida, o corpo será encaminhado para cremação no Crematório Vaticano.
Arlete se tornou uma das vozes mais conhecidas na luta por respostas em casos de desaparecimento após o sumiço do filho, Guilherme Caramês Tiburtius, em 17 de junho de 1991. Na época, ele tinha 8 anos e saiu de casa para andar de bicicleta, não sendo mais visto desde então.
O caso nunca foi esclarecido. No dia do desaparecimento, o menino chegou a telefonar para a mãe pedindo autorização para usar um dinheiro que havia encontrado na rua, que foi o último contato registrado entre os dois.
A partir de então, Arlete passou a atuar na mobilização de autoridades e da sociedade, cobrando investigações e políticas públicas voltadas ao tema. Sua atuação contribuiu para a criação do Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride), instituído em 1996 no Paraná.
Ao longo dos anos, tornou-se referência para outras famílias que enfrentavam situações semelhantes, transformando a experiência pessoal em uma causa coletiva.
A morte de Arlete gerou manifestações de pesar. A vereadora de Curitiba Tânia Guerreiro, que atuou ao lado dela, destacou o impacto de sua trajetória.
“Hoje me despeço de uma mulher que não foi apenas uma referência na luta pelas crianças desaparecidas… foi uma companheira de caminhada”, afirmou.
Em outra mensagem, ressaltou: “Arlete Caramês transformou a pior dor que uma mãe pode sentir em propósito de vida. Após o desaparecimento do seu filho Guilherme, dedicou cada dia da sua história a lutar por outras famílias”.
Mesmo após mais de três décadas, o desaparecimento de Guilherme segue sem solução. A história de Arlete, no entanto, permanece associada à construção de políticas públicas e à visibilidade dada ao tema no estado.
(Com informações da Banda B)
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