Paraná

Pedágio eletrônico no Paraná provoca reação e ameaça virar disputa judicial

O pedágio eletrônico no Paraná foi tema de audiência pública na Assembleia Legislativa (Alep) na noite desta segunda-feira (2). O debate reuniu representantes da Agência Nacional de Transportes Terrestres, concessionárias e prefeitos de diversas cidades.

O objetivo foi discutir a substituição das praças físicas por pórticos eletrônicos no sistema free flow.
Câmeras e sensores identificam placas e realizam a cobrança automática, sem necessidade de cancelas.

Os pórticos começaram a operar em janeiro nas regiões Norte e Noroeste, nos lotes 4 e 5.
Em 22 de fevereiro, a cobrança automática foi expandida para trechos do Sudoeste do estado.

Entre os principais questionamentos estão a proporcionalidade da tarifa e a mudança nos locais de cobrança. Moradores lindeiros relatam aumento de custos diários e impactos na rotina de deslocamentos entre municípios.

Pagamento proporcional

O modelo free flow deveria permitir pagamento proporcional ao uso da rodovia. Na prática, as tarifas permanecem iguais, o que gera dúvidas sobre a legalidade do sistema. Alguns trechos permitem pagamento via tag ou leitura de placa, com multa de R$ 195,05 em caso de atraso.

Usuários de trajetos longos precisam acessar diferentes sites de concessionárias para efetuar o pagamento.

Concessionárias defendem os pórticos afirmando que garantem segurança, visibilidade e prevenção de rotas de fuga. Contratos preveem descontos progressivos que podem chegar a 60% após 30 passagens, dependendo do trecho.

Especialistas alertam que a cobrança proporcional por quilômetro rodado é tecnicamente inviável.
O controle total de acessos seria necessário, mas as rodovias paranaenses possuem múltiplos pontos de entrada e saída.

A Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná afirma que os pórticos aumentam a fluidez do tráfego, reduzem desgaste dos veículos e diminuem em até 60% o tempo de passagem.

A Antt informou que ainda analisa pleitos das concessionárias e contratou um verificador independente para fiscalizar os contratos. Prefeitos reforçaram preocupação com impactos financeiros para moradores e produtores locais, principalmente em trechos urbanos próximos aos pórticos.

O lote 4 inclui a PR-323, que passa pela cidade de Umuarama, onde também será instalado o modelo free flow. Além de Umuarama, o pedágio eletrônico terá praças em Cianorte e Francisco Alves, ampliando a cobertura do sistema e gerando atenção de moradores e motoristas da região.

Leia também: Antt admite que não autorizou pedágio eletrônico no Lote 4, que inclui Umuarama

Alex Nascimento

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