Trevo de quatro folhas é tradicionalmente visto como símbolo de sorte e proteção contra o azar, especialmente em datas cercadas por superstições (Shutterstock)
A primeira sexta-feira 13 de 2026 marca mais uma vez a presença de uma das superstições mais conhecidas do calendário. Para muitos, a data é sinônimo de azar; para outros, trata-se apenas de mais um dia no calendário.
A fama negativa, no entanto, atravessa séculos e tem origem em crenças religiosas, mitológicas e culturais que moldaram o imaginário popular ao longo do tempo.
Uma das origens mais conhecidas da superstição vem da tradição cristã. Segundo a Bíblia, a Última Ceia reuniu 13 pessoas, sendo Jesus Cristo e seus 12 apóstolos e, no dia seguinte, uma sexta-feira, ocorreu a crucificação. Essa associação acabou reforçando a ideia de que o número 13 e a sexta-feira carregariam mau presságio.
Antes disso, porém, a data já tinha outros significados. Na mitologia nórdica, o deus Loki teria sido o 13º convidado de um banquete no Valhalla e, com sua chegada, teria provocado o caos e a morte do deus Balder.
Já em antigas culturas pagãs, a sexta-feira era ligada à deusa da fertilidade Friga, associada à prosperidade e à vida. Com o avanço do cristianismo, esses cultos foram demonizados, contribuindo para a má reputação da data.
O número 13 também ganhou fama negativa por contrastar com o 12, considerado símbolo de perfeição e completude, como os 12 meses do ano, os 12 signos do zodíaco e os 12 apóstolos. Assim, o 13 passou a representar desequilíbrio e incerteza.
Curiosamente, na numerologia moderna, a sexta-feira 13 pode ser interpretada de forma oposta, como um dia ligado à coragem, mudanças e superação de desafios.
O medo extremo da data leva o nome de parascavedecatriafobia ou frigatriscaidecafobia. Pessoas que sofrem desse tipo de fobia evitam sair de casa, tomar decisões importantes ou até trabalhar em uma sexta-feira 13.
Apesar da fama, estudos e levantamentos estatísticos indicam que não há aumento significativo de acidentes, crimes ou acontecimentos negativos nesse dia.
Especialistas afirmam que o temor é uma construção cultural, reforçada ao longo do tempo por histórias, crenças populares e, mais recentemente, por filmes de terror e produções cinematográficas que exploraram o tema.
Em 2026, o calendário trará o máximo possível de sextas-feiras 13 em um único ano. Serão três datas distribuídas em fevereiro, março e novembro, o que deve reacender ainda mais as discussões e brincadeiras sobre o suposto azar.
Enquanto alguns preferem evitar decisões importantes, outros encaram a sexta-feira 13 com naturalidade ou até como motivo de humor.
Entre o medo e a descrença, a data segue viva no imaginário popular, mostrando como antigas histórias continuam influenciando o cotidiano, mesmo sem respaldo científico.
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