Foto: Ilustrativa/freepik
O câncer de pênis causou 2.949 amputações do órgão no Brasil entre 2021 e 2025. Além disso, no mesmo período, a doença resultou em 2.359 mortes. Os dados são de um levantamento da Sociedade Brasileira de Urologia, com base em informações do Ministério da Saúde.
Apesar de ser considerado raro, o câncer de pênis ainda produz impactos graves. Segundo especialistas, trata-se de uma doença amplamente prevenível. No entanto, o desconhecimento e o estigma seguem como barreiras importantes ao diagnóstico precoce.
“Apesar de ser uma doença amplamente prevenível, o câncer de pênis ainda provoca mutilações evitáveis todos os anos no Brasil”, afirma Roni de Carvalho Fernandes, presidente da SBU. Segundo ele, o diagnóstico tardio agrava o quadro clínico.
Os estados com maior número de amputações foram São Paulo, com 547 casos, e Minas Gerais, com 476. Em seguida aparecem Paraná, Rio Grande do Sul e Maranhão. Portanto, regiões mais populosas concentram números absolutos mais elevados.
No caso dos óbitos, São Paulo lidera com 399 registros. Depois aparecem Minas Gerais, Bahia, Pernambuco e Pará. Além disso, a densidade populacional influencia diretamente esses totais.
Segundo a SBU, a infraestrutura de saúde mais estruturada também pesa. Estados como São Paulo e Minas Gerais registram mais casos porque concentram serviços especializados. Assim, a notificação tende a ser maior.
“A falta de informação faz com que muitos homens só procurem atendimento quando a doença já está em estágio avançado”, diz Fernandes. Nesses casos, a cirurgia mutiladora torna-se mais frequente e compromete a qualidade de vida.
O câncer de pênis afeta principalmente homens acima de 50 anos. Os sintomas iniciais incluem feridas que não cicatrizam, sangramentos e secreções com odor forte. Além disso, alterações na cor da pele e nódulos na virilha merecem atenção.
Entre os fatores de risco estão higiene íntima inadequada, fimose e infecção pelo HPV. O tabagismo também aumenta a probabilidade de desenvolvimento da doença. Portanto, hábitos preventivos reduzem significativamente os riscos.
Quando o diagnóstico ocorre tardiamente, a amputação parcial ou total pode ser necessária. Em estágios avançados, o câncer pode se espalhar para a virilha e o abdome. Assim, o risco de morte aumenta.
“Muitas vezes a demora para procurar ajuda leva a um diagnóstico tardio”, afirma o uro-oncologista Fernando Korkes, coordenador da SBU. Segundo ele, esse atraso pode estar associado ao óbito.
Pessoas em situação socioeconômica vulnerável enfrentam maior risco. “É um tumor raro nos países desenvolvidos”, afirma Fernandes. Além disso, as mortes são proporcionalmente mais frequentes no Norte e Nordeste.
A prevenção envolve higiene diária com água e sabão, inclusive após relações sexuais. A correção cirúrgica da fimose e o uso de preservativos também ajudam. Além disso, a vacinação contra o HPV é considerada fundamental.
(Com informações: Agência Folhapress)
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