Paraná

Vereador perde o mandato e fica inelegível após furar a fila do SUS no PR

O vereador João Carlos dos Santos, conhecido como Joãozinho (PSDB), de Cornélio Procópio, no norte pioneiro do Paraná, teve o mandato cassado e foi declarado inelegível por oito anos por envolvimento em um esquema de favorecimento irregular no Sistema Único de Saúde (SUS). A decisão foi confirmada na última semana e encerra um processo que apurou a interferência do parlamentar na fila de atendimentos da rede pública.

Segundo a decisão da Câmara Municipal, entre 2024 e 2025 o então vereador utilizou a posição política para alterar a ordem de marcação de consultas e exames, garantindo atendimento prioritário a determinados pacientes. Em troca, ele teria obtido vantagens de natureza política, o que caracterizou desvio de conduta e afronta aos princípios da administração pública.

As investigações foram conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que iniciou as diligências após receber uma denúncia anônima. No decorrer da apuração, mandados de busca e apreensão foram cumpridos no gabinete do vereador, em sua residência e também na casa de uma assessora citada no processo.

Durante a operação, foram apreendidos documentos, aparelhos celulares e exames médicos de terceiros. O material foi utilizado como prova para demonstrar a atuação direta do parlamentar no favorecimento de pessoas específicas dentro do sistema público de saúde.

O processo concluiu que a conduta atribuída a Joãozinho foi incompatível com o exercício do mandato eletivo, resultando na cassação e na aplicação da sanção de inelegibilidade pelo período de oito anos. A penalidade segue o que estabelece a legislação eleitoral brasileira e a Lei da Ficha Limpa, que prevê restrições a políticos condenados por atos que atentem contra a probidade administrativa e a moralidade no exercício da função pública.

Com a perda do mandato, a Câmara Municipal refez o cálculo de vagas e convocou o suplente Valdemir Maria, conhecido como Mipi, que tomou posse na manhã desta segunda-feira (2), assumindo a cadeira anteriormente ocupada por Joãozinho.

Em nota, a Câmara de Cornélio Procópio informou que colaborou integralmente com as investigações e acompanha o cumprimento da decisão. Até o momento, João Carlos dos Santos não se manifestou publicamente sobre a cassação nem informou se pretende recorrer da sentença.

(Com informações do MPPR e da Câmara Municipal de Cornélio Procópio)

Rudson de Souza

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