Um vídeo que viralizou nas redes sociais mostra o piloto de drone Hudson Vinícius usando o seu equipamento de trabalho de forma inusitada: como um “carro voador”. No registro, ele entra no que chama de “Uno 100”, aciona o controle e percorre certa distância para buscar água gelada para um amigo durante um dia de trabalho exaustivo.
Hudson, que é de São Felix do Xingú, no Pará, afirmou a OBemdito que o vídeo é real e não se trata de montagem feita com inteligência artificial, respondendo a comentários que questionaram sua autenticidade.
Ele disse que a bateria do drone tem capacidade para até 6 quilômetros de viagem, mas só é possível permanecer no ar de forma fracionada, a cada dois minutos. “Esses equipamentos têm possibilidade de ir 2 mil metros de onde decola. Cumprida essa distância, a gente retorna retorna ao chão, pousa, desliga ele e liga de novo, para fazer mais de quilômetros”.
Este tipo de drone tem capacidade de até 100 quilos e foi criado para pulverização agrícola, que vem substituindo o uso de aviões, devido, principalmente, ao menor custo de operação. Já se o uso for de sólidos, como sementes, o tanque comporta até 150 litros, de com acordo com o piloto.
Apesar da curiosidade e do alcance nas redes, especialistas e autoridades no setor de aviação destacam que drones comuns não são projetados nem regulamentados como meio de transporte humano ou de carga pesada fora de contextos específicos.
O que circula hoje em termos de “carros voadores” verdadeiros são veículos conhecidos como eVTOL (Electric Vertical Take-Off and Landing), ainda em fase de desenvolvimento e certificação por órgãos oficiais.
Esses modelos, como o EVE-100 criado pela Eve (subsidiária da Embraer), são aeronaves elétricas com capacidade para passageiros e decolagem vertical, planejadas para distâncias curtas e uso urbano com regulamentação rígida e habilitação específica de pilotos pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Autoridades de aviação civil, como a própria Anac e especialistas internacionais, enfatizam que operações de drones além da linha de visão do piloto (como para entregas ou logística) demandam regras específicas justamente para mitigar riscos à segurança de pessoas e propriedades no solo e no ar.
Nos Estados Unidos, por exemplo, o Departamento de Transportes propôs regras para expandir operações de drones, com foco em requisitos de segurança e gestão do espaço aéreo.
Especialistas alertam que voar um drone de forma improvisada envolve riscos como perda de controle, falhas técnicas ou colisões, além de questões legais sobre responsabilidade em caso de acidentes, reforçando que, por enquanto, essa tecnologia continua restrita a aplicações profissionais regulamentadas e supervisionadas.
Hudson Vinícius, que além de piloto é produtor de conteúdo, disse estar ciente de tais informações e que não costuma utilizar equipamento para transporte humano. O vídeo em que ele aparece utilizando o ‘carro voador’ teve o motivo de gerar curiosidade e desmentir comentários de que tinha criado imagens por Inteligência Artificial.
Piloto de drone usa equipamento como carro voador para buscar água gelada
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