Ítalo Fabio Casciola

Erosão, o câncer que vem torturando o arenito caiuá desde o século passado…

Há poucos dias bombou nos sites de notícias o surgimento de mais uma cratera à beira da PR-323, em frente à Havan, e não é a primeira vez que a erosão danifica uma das rodovias mais movimentadas do Paraná. O fato, claro, provocou protestos dos milhares de motoristas que passam pelo local e colocam em risco as vidas diante de um buracão que ia aumentando dia a dia… Felizmente, foram realizadas obras no local e resolveram o problema…

Mas, na verdade, esse problema não foi sanado definitivamente pois já está provado que não há poder que extermine esse mal: a erosão.

Tanto no inverno, época de chuvas no Paraná inteiro, como em outras estações de cada ano esses casos se repetem por todos os lados do Estado. Entre os problemas que as águas causam está reavivar o ‘câncer’ do solo da região noroeste paranaense, o arenito caiuá, que se esfarela com as enxurradas.

Vale lembrar que por diversas vezes a rodovia já foi fechada em virtude do problema e isso pode se repetir sempre que os temporais acontecem – pois com as chuvas caindo não há como fazer reparos…

1956 – Este registro fotográfico é histórico: a profunda cratera que as chuvas criaram antigamente em plena Avenida Paraná, a principal via de Umuarama desde que foi fundada até hoje. Nunca surgiu antes nem depois uma erosão desse porte gigante. Razão pela qual na época causou tremendo medo nos comerciantes daquela área. Eles imploraram para que a Prefeitura resolvesse o problema e depois torceram durante muito tempo para que não se repetisse. Felizmente, anos depois a avenida foi asfaltada… (Ao fundo a antiga Praça das Perobas, hoje Santos Dumont) – Fotos antigas: Acervo de Italo Fábio Casciola

O desmatamento teve reflexos…

E 70 anos se passaram desde o completo desmatamento das florestas para fundar Umuarama e abrir territórios para as fazendas de café e de gado. Essa destruição provocou o aparecimento do furioso inimigo que atende pelo nome de erosão!!!

E desde que surgiu ele reina absoluto neste imenso Noroeste e no resto do Paraná! E seu combate custa fortunas para os municípios e para o Estado, além de atormentar as populações.

Todo o território da cidade e da zona rural de Umuarama é do frágil arenito caiuá… E as fortes chuvas de antigamente geravam a terrível erosão. Esta é a antiga Vila Operária, o primeiro bairro mais habitado da Capital da Amizade e também um dos mais frágeis às chuvas e ao surgimento dos imensos buracões…

Chuva, chuva e… erosão, crateras e buracos

Em meados da década de 1960 aconteceram as estações mais chuvosas daquela época. Nos verões, além de muito calor, caíram fortes tempestades aqui no Noroeste paranaense.

E Umuarama foi uma das vítimas dessas tempestades, justamente porque ainda não tinha infraestrutura urbana.

Todos os bairros da antiga Capital da Amizade foram duramente castigados. E as águas deram todo o poder ao maior inimigo deste território do arenito caiuá: a erosão!!! A geografia da então jovem cidade ficou completamente deformada por crateras de todos os tamanhos.

Aquela ‘paisagem lunar’ parecia um pesadelo em que a gente se negava a acreditar, mas era a dura realidade daquele passado já distante…

1957, dois anos depois da fundação da cidade e da completa derrubada das florestas, as ruas dos bairros de Umuarama já viviam catastroficamente “habitadas” por profundas crateras provocadas pela erosão…

A cratera gigante que virou ‘atração turística’

Lembro que o primeiro ‘buracão’ a ficar famoso na Capital da Amizade foi aquele que as enxurradas cavaram em plena descida da Avenida Paraná, a apenas dois quarteirões da então Praça das Perobas (hoje Santos Dumont). Ele surgiu assustadoramente na esquina com a Avenida Ipiranga. Além de situado na área mais movimentada da Umuarama de então, ali estavam os imóveis comerciais mais valorizados da época.

De tão portentosa, a cratera virou ‘atração turística’, pois todo mundo que passava pela Capital da Amizade queria conhecer aquela ‘coisa feia’. E era feia e grande messsmo. Em alguns pontos tinha 7 metros de profundidade e até 25 de largura e seu comprimento era de quase meio quarteirão…

E depois das chuvas, com o calor, aquele frágil arenito caiuá continuava esfarelando… Como demoraram algumas semanas para tapar aquele invasor topográfico, ele virou notícia estadual ‘ilustrando’ as capas dos principais jornais paranaenses daquele tempo…

Foi uma luta tremenda para acabar com a cratera. Tiveram que trazer terra roxa de outros lugares para preencher o imenso espaço aberto pelas chuvas. Não podiam fazer o serviço usando a mesma areia de nosso solo, pois a cratera renasceria na primeira chuva que caísse…

Por sorte não aconteceu nenhum acidente naquele ‘buracão’ e, por ainda mais sorte, ele não reapareceu nunca mais!!! Mas que ficou na memória de nossa gente, ficou!!! (ITALO FÁBIO CASCIOLA, Especial para OBEMDITO)

Veja outra cratera gigante nos anos 1960, também situada na Vila Operária, o bairro mais populoso dos primeiros tempos da Capital da Amizade

Ítalo Fábio Casciola

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