Brasil

Empresas usam polêmica das Havaianas para arrecadar chinelos que iriam para o lixo

Empresas de diferentes setores têm transformado a polêmica envolvendo a marca Havaianas em ações de impacto social, usando a repercussão nas redes para arrecadar chinelos e destiná-los a pessoas em situação de vulnerabilidade.

A iniciativa ganhou destaque após manifestações de boicote à marca por parte de grupos politicamente alinhados à direita, que passaram a anunciar o descarte, no lixo, de produtos da Havaianas, como forma de protesto.

Um dos exemplos mais comentados é o do Grupo Nelore, com sede em Rio Verde, em Goiás. A empresa anunciou uma ação solidária que convida a população a doar chinelos Havaianas que seriam descartados em função da controvérsia.

Os pares arrecadados estão sendo recolhidos nas unidades do grupo até o dia 26 de dezembro de 2025 e serão destinados a pessoas em situação de rua e a entidades assistenciais.

A surpresa, até o momento, é que poucos pares foram descartados no ‘lixo solidário’ da empresa, apesar da ampla repercussão da ideia nas redes sociais.

A polêmica teve início após declarações e posicionamentos atribuídos à marca Havaianas ou a representantes ligados à empresa serem interpretados como alinhados a pautas da esquerda.

A reação ganhou força nas redes sociais, onde usuários passaram a publicar vídeos rasgando, queimando ou jogando fora os chinelos, defendendo um boicote à marca como forma de protesto político. O movimento se espalhou rapidamente, impulsionado por influenciadores e grupos organizados.

Diante do cenário, algumas empresas enxergaram uma oportunidade de ressignificar o debate. Em vez de estimular o descarte, passaram a incentivar a doação dos produtos, transformando um gesto de protesto em ação solidária.

No caso do Grupo Nelore, a proposta foi apresentada como uma forma prática de ajudar quem precisa, independentemente de posicionamentos ideológicos.

“A ideia é simples: se alguém não quer mais usar o produto, que ele possa servir para quem precisa”, informou a empresa em comunicado divulgado nas redes sociais. A ação recebeu apoio de internautas, que elogiaram a iniciativa por dar um destino útil aos chinelos e ampliar o alcance social do debate.

Especialistas em comunicação avaliam que esse tipo de estratégia tem se tornado cada vez mais comum. Ao aproveitar temas que estão em alta nas redes sociais, empresas conseguem ampliar a visibilidade de ações sociais e engajar o público de maneira prática, sem necessariamente entrar no embate ideológico.

Embora a polêmica envolvendo as Havaianas ainda gere reações divididas, iniciativas como essa mostram como controvérsias podem ser transformadas em mobilização solidária.

Em meio ao ruído político, a arrecadação de chinelos destaca uma possibilidade concreta de impacto positivo, especialmente em um período do ano marcado por campanhas de apoio a pessoas em situação de vulnerabilidade.

Leonardo Revesso

Graduado em Direito pela Unipar, mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP e especializando em Neurociência do Consumo pela ESPM. Tutor da Olívia, da Ludi e da Mila. Está no jornalismo há 27 anos (iniciou aos 15). No OBemdito escreve sobre política e consumo.

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