(Foto Jean Soriani/OBemdito)
Mais um buraco voltou a se alargar na beira da PR-323, em um ponto de passagem de córrego entre Umuarama e o distrito de Lovat, próximo à entrada do Curtume Umuarama. A cratera, que recebeu grande volume de água durante as fortes chuvas registradas nos últimos dias, tem avançado em direção à pista e representa risco iminente a motoristas que, por qualquer motivo, utilizem o acostamento ou saiam da faixa de rolamento.
O perigo é ampliado pelo fato de que o local segue sem sinalização adequada. Assim, caso um veículo precise desviar de obstáculos na pista ou perca o controle, há o risco real de queda no buraco, que se aprofunda a cada novo episódio de chuva intensa.
Enquanto isso, o problema nas margens se soma a um cenário já crítico no pavimento da rodovia. Ao longo do trecho da PR-323 na região de Umuarama, multiplicam-se buracos na pista de rolamento, além de elevações no asfalto formadas pela passagem constante de caminhões pesados. Essas deformações tornam a condução instável, especialmente em dias chuvosos, quando a visibilidade diminui e o risco de aquaplanagem aumenta.
A gravidade da situação foi sentida, na prática, pela própria equipe de redação do OBemdito. Durante apuração no trecho, um dos veículos da reportagem atingiu um buraco na pista, o que resultou no rasgo de um dos pneus. O episódio ilustra o impacto direto da falta de manutenção na segurança de quem trafega diariamente pela rodovia.
Além desse ponto entre Umuarama e Lovat, outro buraco preocupa autoridades e motoristas no trecho urbano da PR-323. No último dia 10, uma ordem de serviço foi finalmente emitida para a realização de trabalhos emergenciais em uma área acometida por forte erosão às margens da rodovia. A medida autorizou, inicialmente, a limpeza de uma vala para auxiliar no escoamento da água das chuvas intensas.
No entanto, apesar do início dos trabalhos, o buraco continua a crescer. A persistência das chuvas tem impedido o avanço das obras de recuperação definitiva, aumentando o risco de interdição total da rodovia. Na sexta-feira (12) e no sábado (13), trabalhadores estiveram no local, mas as condições climáticas adversas inviabilizaram intervenções mais profundas.
Por ora, o acostamento permanece interditado. Ainda assim, a erosão segue avançando por baixo da pista, com deslizamento constante de terra, o que compromete a estabilidade do asfalto. Caso o volume de chuva se mantenha elevado, cresce a possibilidade de que o trecho precise ser totalmente bloqueado para evitar acidentes de maiores proporções.
Esse ponto é considerado um dos mais críticos da PR-323. Ele recebe grande concentração de enxurradas vindas da avenida Castelo Branco, que canaliza água de diversas regiões centrais de Umuarama em direção ao córrego Pinhalzinho. A força dessas correntes escava a base do aterro, provocando desmoronamentos recorrentes há anos.
A situação já havia se agravado em novembro. Imagens registradas pelo OBemdito no dia 6 daquele mês mostravam que a erosão avançava semana após semana, levando parte do acostamento e do asfalto. O desmoronamento inicial ocorreu em 18 de outubro, entre o viaduto Alexandre Ceranto e o trevo do Gaúchão, após uma madrugada em que o Simepar registrou 32,9 mm de chuva em poucas horas.
Ainda em novembro, o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR) realizou o fechamento de um buraco no km 291 da PR-323, entre Umuarama e Lovat, apontado pela Polícia Rodoviária Estadual (PRE) como causa de um grave acidente registrado na manhã de segunda-feira (10). Na ocasião, segundo a PRE, a motorista de um VW/Gol tentou desviar do buraco, entrou na contramão e colidiu frontalmente com um Toyota/Corolla.
Saiba mais: Após acidente com duas mortes, DER-PR fecha buraco que seria antigo na PR-323; vídeo
Duas pessoas morreram no local, sendo a condutora do Gol e a passageira do Corolla. Outras duas vítimas, incluindo uma criança de 2 anos, ficaram feridas e foram encaminhadas ao Hospital Cemil. O menino, que estava corretamente acomodado na cadeirinha, sobreviveu e seguiu internado, com quadro estável.
Apesar do reparo pontual realizado naquele dia, o repórter cinematográfico do OBemdito constatou que o trecho continuava com diversos buracos e deformações, evidenciando a ausência de manutenção contínua da rodovia.
Em nota divulgada à época, o DER-PR afirmou que serviços de manutenção estavam previamente programados e que uma nova contratação para conservação do pavimento da PR-323 estava sendo trabalhada, até o início da atuação da futura concessionária da rodovia.
Na manhã desta segunda-feira (15), a reportagem entrou novamente em contato com o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR) para questionar sobre a situação atual dos buracos na pista, das crateras nas margens, a ausência de sinalização e a previsão para obras definitivas de recuperação. Assim que houver resposta oficial, a matéria será atualizada.
Enquanto isso, a recomendação é de atenção redobrada aos condutores que trafegam pela PR-323, especialmente nos trechos próximos a Umuarama, onde buracos, erosões e elevações do asfalto seguem colocando vidas em risco diariamente.
(Essa reportagem conta com imagens de Danilo Martins/Rudson de Souza e Jean Soriani, do jornalismo do OBemdito)
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