Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência
A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na Câmara dos Deputados nesta sexta-feira. As ações miraram a ex-assessora de Arthur Lira, Mariângela Fialek, conhecida como Tuca. Ela atuou na Presidência da Câmara e hoje exerce função no gabinete da liderança do PP.
As diligências receberam autorização do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. Nesse contexto, as investigações apontam que Tuca enviava ordens para comissões com o objetivo de liberar emendas do orçamento secreto.
Esse mecanismo ficou marcado pela falta de transparência na identificação dos autores das indicações e dos beneficiários finais das verbas. Além disso, relatos apontam que Tuca direcionava recursos especialmente para Alagoas, estado de Lira.
As apurações começaram com depoimentos de seis deputados e de uma servidora. Além disso, eles relataram que Tuca encaminhava ofícios assinados pela Presidência da Câmara com ordens claras de liberação de emendas.
A PF já havia quebrado o sigilo telemático da ex-assessora. No entanto, a corporação não encontrou mensagens armazenadas em aparelhos ou nuvens de dados. Mesmo assim, os investigadores identificaram indícios de crimes e solicitaram as buscas.
Ao autorizar a operação, Flávio Dino afirmou que havia “concreta possibilidade” de que Tuca evitou fazer backups. Ele destacou que dados sensíveis podem ter sido mantidos apenas em formatos físicos.
O ministro avaliou que os indícios revelam “uma atuação contínua, sistemática e estruturada” na condução do orçamento secreto. Por isso, Dino também justificou buscas em gabinete da Câmara por possuírem “maior potencial probatório”.
O STF já analisou a prática do orçamento secreto em outra ação relatada pelo próprio Dino. Nessa decisão, a Corte proibiu o modelo e determinou regras mínimas de transparência e rastreamento das verbas.
Paralelamente, outras investigações tramitam no Supremo. Todas tratam de possíveis desvios de recursos de emendas parlamentares. A PF também destacou a participação de Tuca com base em depoimentos de seis parlamentares. São eles Glauber Braga, José Rocha, Adriana Ventura, Fernando Marangoni, Dr. Francisco e o senador Cleitinho.
Os relatos sugerem um “redirecionamento forçado” de emendas por Arthur Lira. Nesse contexto, a PF afirmou que Tuca ocupou cargos estratégicos desde 2020 que facilitaram o controle sobre verbas públicas. Em seguida, os investigadores encontraram uma anotação manuscrita que coincide com o direcionamento de recursos. Como resultado, a PF afirmou que o material mostra “desapego à formalidade” no processo orçamentário.
No relatório, os agentes escreveram que “uma anotação à mão, realizada de maneira rudimentar, foi responsável pela realocação de recursos”. Eles compararam o método à “conta de padaria”. A operação reforça o avanço das apurações sobre o orçamento secreto. O caso segue no STF e pode gerar novos desdobramentos políticos e jurídicos nos próximos meses.
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