Área de Icaraíma, usada como rota de contrabando, já teve vários bunkers e esconderijos subterrâneos identificados pela polícia (Foto PMPR)
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (26) a Operação Forragem, voltada a desarticular uma organização criminosa ligada ao contrabando de cigarros, descaminho de eletrônicos e artigos de pesca, além de tráfico de drogas e associação para o tráfico. A ação contou com apoio da Receita Federal.
Segundo a PF, 45 policiais cumprem 11 mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal. As ordens são executadas em Maringá e no Distrito de Iguatemi, além de Paiçandu, Mandaguaçu, Floresta, Apucarana e Arapongas, no Paraná; Itaquiraí, no Mato Grosso do Sul; e Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul. Servidores da Receita Federal integram as equipes.
A investigação aponta que cigarros vindos do Paraguai eram trazidos pelo Rio Paraná e desembarcados em Icaraíma, que funciona como um dos principais pontos de entrada dos carregamentos ilegais. De lá, as mercadorias eram transportadas para entrepostos na região de Maringá, responsáveis pela distribuição para estados como São Paulo e Rio Grande do Sul.
Os eletrônicos apreendidos eram vendidos em plataformas de comércio on-line, enquanto os produtos de pesca eram comercializados por uma empresa formalmente registrada em nome de um dos investigados. Parte do grupo também utilizava ônibus de linha para transportar drogas, valendo-se de “mulas” para despistar a fiscalização.
A PF não informou se houve prisões nesta fase da operação.
A área de Icaraíma, que hoje está no centro da Operação Forragem, já é reconhecida por seu histórico de uso como rota de contrabando e tráfico pela proximidade com o Rio Paraná e pela existência de áreas rurais de difícil acesso.
Neste ano, o local ganhou grande notoriedade após o desaparecimento e morte dos paulistas Diego Henrique Affonso, de 39 anos, Rafael Juliano Marascalchi, de 43 anos, e Robishley Hirnani de Oliveira, de 53 anos, além do morador da cidade Alencar Gonçalves de Souza Giron, de 36 anos.
Durante as investigações conduzidas pela Polícia Civil, uma vasta estrutura clandestina foi descoberta na Fazenda Jundiá, em Icaraíma, que foi o mesmo local onde os corpos e a caminhonete Fiat Toro das vítimas foram encontrados.
A Polícia Civil identificou ao menos 22 estruturas subterrâneas, entre bunkers de alvenaria e esconderijos improvisados, indicando a complexidade e o grau de profissionalização das organizações que atuam na região. Segundo o delegado Tiago Andrade, responsável pelo caso, foram localizados cinco bunkers de alvenaria com base reforçada e cerca de 17 esconderijos menores, construídos com lonas, madeira e terra.
A descoberta reforçou a percepção das autoridades sobre a existência de uma rede sofisticada de apoio logístico ligada ao contrabando e ao tráfico na divisa fluvial, contexto que agora volta à tona com a Operação Forragem.
(Com informações da Polícia Federal e imagens da PMPR e de Rudson de Souza/OBemdito)
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